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Venezuela e EUA firmam acordo histórico para produção de petróleo

Acordo entre Venezuela e EUA possibilitará investimento de mais de US$ 100 bilhões e desenvolvimento de campos de petróleo com potencial de 65 bilhões de barris

A Venezuela anunciou um acordo histórico com os Estados Unidos, que promete impactar significativamente a recuperação do país após meses de instabilidade. A presidente interina Delcy Rodríguez fez o anúncio em um comunicado nas redes sociais na sexta-feira, 28, destacando que o novo protocolo permitirá um aumento considerável na produção de petróleo com a participação de operadores privados.

Rodríguez mencionou que o acordo envolve o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com um potencial comprovado de 65 bilhões de barris de petróleo. Ela também projetou um investimento superior a US$ 100 bilhões e mais de US$ 209 bilhões em receitas fiscais para o Estado.

A dirigente descreveu o acordo como um marco nas relações entre Caracas e Washington, que retomaram formalmente seus laços diplomáticos em março, após o sequestro do ex-presidente Nicolás Maduro pelo Exército dos EUA. O novo protocolo visa facilitar um fluxo significativo de investimentos, essenciais para a recuperação e modernização da infraestrutura da indústria de hidrocarbonetos da Venezuela.

A Venezuela, detentora de uma das maiores reservas de petróleo do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris, representa cerca de 17% da oferta global, segundo a Administração de Informação Energética dos EUA. Rodríguez acredita que os investimentos resultantes do acordo não apenas ajudarão a modernizar a indústria, mas também a promover o crescimento econômico do país e a segurança energética da região.

A presidente interina afirmou que o objetivo é consolidar a Venezuela como uma potência energética produtiva, com o intuito de utilizar as vastas reservas para o desenvolvimento nacional, gerar empregos e melhorar o bem-estar do povo venezuelano. Ela destacou que atualmente o país produz 1,23 milhão de barris de petróleo por dia, o maior nível desde fevereiro de 2019.

Em declarações feitas horas antes, o ex-presidente Donald Trump divulgou que os EUA fecharam “o maior acordo de petróleo da história mundial”, que abrange o controle de 65 bilhões de barris das reservas venezuelanas. Este movimento surge em um contexto de alta pressão sobre o governo dos EUA em relação aos preços elevados da gasolina, especialmente com os desafios impostos pela contínua guerra no Irã.

As reservas estratégicas de petróleo dos EUA caíram para menos de 300 milhões de barris no início de agosto, marcando uma redução significativa. Especialistas observam que, enquanto o petróleo é escasso em outras partes do mundo, as reservas na Venezuela são amplamente conhecidas, embora a produção do país represente apenas cerca de 1% do total mundial devido a infrastructure precária.

O acordo reforçou suspeitas de que já havia articulações entre autoridades dos EUA e da Venezuela antes do sequestro de Maduro, que ocorreu em 3 de janeiro de 2026. A captura foi criticada por países como o Brasil e foi considerada por parte da imprensa internacional como uma ação ilegal e imprudente.

Além disso, a acusação de que Maduro liderava um suposto cartel venezuelano de drogas foi questionada por especialistas no tema, que não encontraram evidências claras. Desde o sequestro, Delcy Rodríguez assumiu a presidência, enquanto Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão detidos em um presídio federal em Nova York.

* Com informações da Agência Lusa.

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