Cresce número de leitores digitais no Brasil com uso de celulares
Crescimento dos leitores digitais no Brasil é impulsionado pelo uso de celulares, oferecendo acesso facilitado a diversos conteúdos culturais e educacionais


O Brasil conta com aproximadamente 94 milhões de leitores digitais, que, nos últimos 12 meses, utilizaram dispositivos eletrônicos como celulares, notebooks e e-readers para consumir uma variedade de conteúdos, entre eles notícias, livros, audiolivros, PDFs e quadrinhos. Os dados são de uma pesquisa realizada pela Nielsen BookData, que traça o perfil e os hábitos dos leitores digitais no país.
O levantamento, intitulado Perfil e Hábito do Leitor Digital Brasileiro, identificou que o segmento abrange diversas faixas etárias e ocupacionais, como é o caso de Maria das Neves de Araújo Alves, uma técnica de enfermagem de 60 anos que reside em Valparaíso de Goiás e trabalha em Brasília. Nevinha, como é conhecida, passa cerca de três horas diárias em deslocamento e dedica parte desse tempo à leitura de romances e livros de ação.
“Prefiro ler no telefone porque ele está sempre comigo e posso ler no ônibus, no posto de saúde, em quase todo lugar”, afirmou Nevinha à Agência Brasil.
A leitora mantém o hábito de ler há pelo menos quatro anos e já não consegue contabilizar quantos livros leu. “Termino um livro e começo outro. Sou péssima em guardar nomes, então não consigo citar nenhum específico, mas escolho romances e ações que me atraem por seus resumos”, disse.
Na escolha da plataforma de leitura, Nevinha priorizou a facilidade de acesso, evitando downloads para economizar dados móveis e espaço no celular. “Carregar um livro físico é um peso extra na bolsa, e eu teria que comprá-lo ou ir a uma biblioteca, o que não é fácil na minha região”, refletiu.
A pesquisa divulgada nesta quarta-feira (2) revela que, entre os conteúdos digitais mais consumidos pelos leitores nos 12 meses anteriores ao estudo, destacam-se notícias e livros digitais, seguidos por artigos em blogs e audiolivros. Os entrevistados pertencem majoritariamente às classes C (46%), D e E (18%), enquanto 29% pertencem à classe B e 7% à classe A.
Sobre os dispositivos utilizados, 72% dos que leem livros ou ouvem audiolivros usam o celular como principal meio de acesso. A maioria dos leitores digitais é composta por jovens adultos entre 18 e 44 anos, com uma predominância de 56% de mulheres. A pesquisa também aponta uma diversidade étnica entre os leitores, com 50% se declarando brancos, 37% pardos e 11% pretos.
Facilidade de acesso é um fator determinante, com 61% dos leitores optando pela versão digital. Além disso, 48,8% admitiram ter acessado livros ou audiolivros gratuitamente por meios não oficiais, enquanto 46,4% utilizaram plataformas institucionais, como o MEC Livros, do Ministério da Educação. Mais da metade dos entrevistados acredita que a digitalização da leitura aumentou significativamente seu hábito de leitura.
Rodrigo Meinberg, CEO da plataforma de leitura digital Skeelo, destaca que a tecnologia não compete com os livros físicos, mas sim os complementa. Ele observa que as redes sociais têm desempenhado um papel vital na promoção da leitura ao facilitar a descoberta de novos autores. “O livro está presente nos telefones celulares de quase todos os brasileiros”, afirmou, ressaltando a importância do acesso digital em áreas onde as livrarias são limitadas.
Rafael Lunes, presidente do Instituto para a Democratização da Leitura Digital, argumentou que a tecnologia é um canal para romper as barreiras de exclusão e permitir que a cultura e a educação alcancem mais brasileiros. Apesar dos avanços na alfabetização, ele apontou a necessidade de formar leitores habituais e promover o acesso a uma variedade de bons livros.
As conclusões da pesquisa indicam que, apenas no último ano, 47 milhões de brasileiros tiveram contato com livros digitais ou audiolivros, destacando a oportunidade que a tecnologia apresenta para democratizar o acesso à leitura no Brasil.



