Cuidado multiprofissional e inteligência artificial avançam na reabilitação visual
CBO mapeia centros de reabilitação visual no Brasil e destaca uso de inteligência artificial para auxiliar na autonomia de pacientes com baixa visão


O Brasil dispõe de 95 centros especializados em reabilitação (CERs) que visam a recuperação da autonomia de pessoas com baixa visão ou cegueira, segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Apesar de oferecerem atendimento gratuito por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), esses serviços ainda são amplamente desconhecidos pela população e até mesmo por profissionais de saúde.
De acordo com o CBO, essa falta de conhecimento impede que muitos pacientes acessem serviços de reabilitação de alta qualidade. Para facilitar o acesso, a entidade mapeou os CERs no país através de um levantamento liderado pela oftalmologista Karina Eiko Yamashita. O estudo revelou que os centros estão distribuídos em todas as regiões brasileiras: 39 no Sudeste, 31 no Nordeste, 12 no Norte, 9 no Sul e 4 no Centro-Oeste.
“A publicação funciona como uma bússola para pacientes e profissionais de saúde em busca de atendimento especializado”, comentou o CBO.
A rede de reabilitação visual no Brasil também está recebendo apoio de novas tecnologias assistivas. Entre as inovações destacadas estão as bengalas inteligentes, que detectam obstáculos e orientam o usuário por meio de comandos de voz, e sistemas de audiodescrição, que analisam imagens e textos para descrever o ambiente ao redor, aumentando assim a independência dos usuários em suas atividades diárias.
Apesar do avanço tecnológico, o CBO ressalta a importância do acompanhamento oftalmológico. Profissionais da área são fundamentais para avaliar a funcionalidade visual do paciente e orientar o uso adequado das tecnologias assistivas, levando em conta a evolução e o prognóstico de cada condição ocular.
O conselho ainda alerta para os riscos éticos associados à aplicação da inteligência artificial na acessibilidade, como a dependência de bases de dados que podem conter vieses, especialmente em relação a públicos vulneráveis. “Ampliar o acesso aos CERs e monitorar o desenvolvimento das tecnologias assistivas são compromissos essenciais”, afirmou a entidade, destacando a necessidade de garantir que os pacientes saibam onde encontrar apoio e como recuperar sua autonomia e qualidade de vida.
Esses temas estão sendo debatidos no 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), que ocorre até o próximo sábado (12) em Salvador.
*A repórter viajou a convite do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).



