

A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou um parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) recomendando a retirada do sigilo sobre um processo relacionado à rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master. O pedido ocorreu em resposta ao ministro Alexandre de Moraes, que ressaltou a importância de quebrar o sigilo para a análise do caso. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, solicitou a manifestação da PGR, que argumentou que a transparência é fundamental para compreender todos os fatores envolvidos na situação.
No próximo julgamento, agendado para terça-feira (15), os ministros do STF devem deliberar se abrirão uma investigação contra Moraes, com base em um relatório da Polícia Federal (PF). Esse documento contém 52 mensagens supostamente enviadas por Vorcaro a Moraes, revelando uma relação próxima entre eles. As mensagens foram extraídas do celular do ex-banqueiro, apreendido durante sua prisão preventiva em novembro de 2025.
As mensagens incluem compartilhamento de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes. Além disso, Vorcaro teria questionado Moraes sobre detalhes da operação da PF que resultou em sua prisão, embora as respostas do ministro não tenham sido recuperadas pelos investigadores. O caso ganhou notoriedade em setembro, quando o sigilo sobre o relatório foi levantado pelo ministro André Mendonça, gerando uma crise sem precedentes na Corte.
A PGR, em sua manifestação, solicitou a anulação do relatório, afirmando que houve irregularidades em sua produção. O órgão argumentou que o relator não tinha a autoridade para permitir investigações que afetassem um ministro do STF sem informar previamente ao plenário.
Em resposta, Moraes divulgou um documento que alega ser um “relatório de inteligência” da PF, sugerindo que as investigações eram direcionadas por Mendonça. Contudo, esse documento não estava assinado nem possuía o timbre da PF, além de ter sido produzido como conjectura e sem valor probatório. Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade e improbidade administrativa, pautando essa solicitação para 23 de setembro.



