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Instalação “Bordaduras” de Regina Silveira provoca reflexões sobre arte e IA

Instalação de Regina Silveira no Sesi Lab traz discussões sobre arte feminina e a interação da criatividade humana com a inteligência artificial

A instalação “Bordaduras”, da artista Regina Silveira, foi inaugurada no Sesi Lab em Brasília, marcando a primeira vez que Kaliane Martins, de 40 anos, veio a um museu. A potiguar, que se mudou para a capital com a mãe na infância e trabalhou como faxineira, agora é agente de portaria e tem se encantado com as artes que a rodeiam.

A obra “Bordaduras” cobre uma área de 530 metros quadrados nos vidros do museu, utilizando vinil adesivo que representa agulhas e bordados em ponto de cruz. A instalação foi aberta ao público nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026.

Regina Silveira, que aos 87 anos é uma das figuras proeminentes da arte contemporânea brasileira e professora emérita da Universidade de São Paulo, busca provocar reflexões através de sua arte. Kaliane, que aprendeu a bordar com sua mãe e avó, se emociona com a obra: “Vi as agulhas eloquentes e me fez recordar os momentos em que costurei para mim e meus filhos”, afirmou.

Em suas reflexões, Kaliane disse que costurar sempre foi uma batalha, mas também um ato de criação e expressão de sua identidade. A artista Regina destaca que a instalação traz uma conexão histórica com a alfabetização feminina, que remonta ao Pré-Renascimento, quando mulheres bordavam letras em enxovais.

A instalação também apresenta um painel de LED com a obra “Dígito”, que Regina criou nos anos 1980. Durante o evento de inauguração, a artista fará uma palestra no 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, que aborda a interseção entre arte e tecnologia.

O evento, que acontece até domingo, 20, contará com trabalhos de 41 artistas de diferentes partes do Brasil. Algumas palestras estão programadas, como a de Casé Angatu Xukuru Tupinambá, que discutirá a relação entre natureza, arte e tecnologia, e a de Hauke Dorsh, que abordará as tecnologias sociais na música africana.

A artista e coordenadora do evento, Suzete Venturelli, enfatizou a necessidade de cuidarmos com o uso das novas tecnologias na arte, ressaltando que a criatividade humana é insubstituível, mesmo diante das facilidades trazidas pela inteligência artificial. “Devemos educar para uma boa utilização da tecnologia, mantendo viva a capacidade de criar”, destacou.

Na entrada do museu, o jovem malabarista e costureiro Gabriel Coelho, de 21 anos, também compartilhou sua conexão com a arte e o bordado, lembrando que aprendeu a costurar com sua mãe. “Sou palhaço e quando vejo essa obra, lembro que desestresso com agulha e linha”, disse.

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