MundoPolíciaTrânsito

Trump critica Brasil por falhas no combate ao PCC e CV em relatório

Trump informa ao Congresso sobre a suposta ineficácia do Brasil no combate ao PCC e CV, destacando a necessidade de ações mais rigorosas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o governo brasileiro por não ter conseguido enfrentar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A afirmação foi feita em um documento anual enviado ao Congresso norte-americano no dia 15 de outubro, no qual Trump analisa a situação de países relevantes no combate ao tráfico de drogas para o ano fiscal de 2027.

Trump destacou que, enquanto “muitos governos do Hemisfério Ocidental” tomaram “medidas corajosas” para combater o tráfico de drogas, o Brasil não conseguiu enfrentar as organizações identificadas como terroristas. Segundo ele, essas facções transformaram o país em um centro de distribuição de cocaína.

“Essas organizações terroristas brasileiras constituem uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente adotar medidas agressivas para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, afirmou o presidente.

Os Estados Unidos já haviam classificado o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) em maio deste ano, decisão que entrou em vigor em junho. A medida foi formalizada pelo Departamento de Estado, com base na Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA e por uma ordem executiva de Trump.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia mencionado que essas organizações estão entre as mais violentas do Brasil, operando com redes que ultrapassam as fronteiras do país. A designação permite que as autoridades dos EUA adotem sanções e ações contra associados a esses grupos.

O governo brasileiro se manifestou contra a classificação, afirmando que o combate ao crime organizado deve ser feito pelo Brasil, com respeito à soberania nacional e cooperação internacional.

Apesar das críticas de Trump, o Brasil não foi classificado como um país que “falhou de maneira demonstrável” no combate às drogas, categoria aplicada a Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela. Além disso, o Brasil não está listado entre os principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas, que incluem Afeganistão, México, e Perú, entre outros.

A reportagem acionou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil para um posicionamento sobre as críticas de Trump. Caso haja resposta, o texto será atualizado.

No documento, Trump expressou apreciação a países da América Latina com governantes mais alinhados aos interesses dos EUA, como Argentina, Equador e El Salvador. Ele também mencionou positivamente as novas administrações da Venezuela, Bolívia, Colômbia e Peru, relacionadas a mudanças no enfrentamento ao narcotráfico.

Em relação à Colômbia, Trump elogiou o novo presidente, Abelardo de la Espriella, por seu compromisso com uma campanha agressiva contra o cultivo de coca. O presidente também manifestou apoio ao novo governo boliviano, enfatizando um “novo capítulo” nas relações entre os dois países.

Apesar dos elogios, os países como Peru, Colômbia, Equador e Venezuela continuam na lista de países relevantes na produção e trânsito de drogas, embora o documento ressalte que isso não implica que os governos não colaborem no combate às drogas.

Trump também criticou México e Canadá, afirmando que precisam aumentar esforços para interromper o fluxo de drogas para os EUA. Em relação à China, o presidente solicitou medidas mais rigorosas contra a produção de substâncias químicas precursores do fentanil, reconhecendo os esforços chineses, mas apontando que criminosos ainda encontravam formas de contornar os controles existentes.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo