Docentes adotam inteligência artificial para transformar o ensino e ampliar o engajamento dos alunos
Professora utiliza inteligência artificial para inspirar alunos a visualizarem suas aspirações profissionais, promovendo engajamento e autoestima nas aulas


Professora de Campinas utiliza inteligência artificial para inspirar sonhos de alunos
A rotina escolar ganhou um toque inovador em Campinas (SP), onde a professora Giovanna Macedo decidiu utilizar a inteligência artificial (IA) para ajudar seus alunos de 9 e 10 anos a visualizar-se em suas futuras profissões. A ideia surgiu a partir da pergunta clássica que todo educador já ouviu: “O que você quer ser quando crescer?” O resultado dessa iniciativa foi um emocionante vídeo que viralizou nas redes sociais, capturando as reações das crianças ao se verem representadas como veterinários, jogadores de futebol, astronautas, entre outras profissões.
Responsável por essa ação, Giovanna, que atua na Escola Estadual Professor Carlos Cristovam Zink, fez uso do ChatGPT para acelerar a representação dos 31 alunos, capturando fotos deles em 2025. A emoção e a alegria das crianças ao verem suas aspirações materializadas foram evidentes e provocaram uma onda de compartilhamentos na internet.
“Para mim, como professora, é muito significativo criar situações em que os alunos se sintam valorizados e vejam que alguém acredita neles, que têm potencial para irem além”, afirmou Giovanna, que celebrou seu oitavo ano de magistério no Dia do Professor, 15 de outubro.
Ainda que Giovanna não tenha formação específica em inteligência artificial, ela se mostra sempre atenta às inovações tecnológicas e busca intuitivamente maneiras criativas de enriquecer suas aulas. “Nosso papel é despertar a curiosidade das crianças, fortalecer a autoestima e ampliar os horizontes delas”, disse a educadora.
Cultura digital na educação
Com o avanço da cultura digital nas salas de aula, a diretora-geral da Start Anglo Bilingual School, Kassula Correa, destaca a necessidade de as escolas acompanharem as mudanças tecnológicas de maneira responsável, alertando que muitos alunos não apressam suas habilidades de pesquisa e discernimento na internet. “Precisamos oferecer ferramentas e formação para que os professores consigam ensinar considerando o ritmo e as particularidades de cada aluno”, ressaltou Correa.
Além de empregar tecnologias, ela defende que as escolas devem continuar sendo um espaço de desenvolvimento socioemocional. “Apesar do avanço tecnológico, a escola permanece como um lugar fundamental para as relações humanas e para o aprendizado das habilidades interpessoais”, enfatizou.
Capacitação de professores
Já no Distrito Federal, o professor Marcio Luiz Dias, que atua há 13 anos na formação de professores em tecnologias educacionais, acredita que a capacitação em inteligência artificial é essencial para todos os educadores. Ele argumenta que a agilidade das mudanças no digital torna difícil a atualização constante nos currículos universitários e avalia que a resistência de alguns docentes ao uso da IA é compreensível, mas inevitável. “É um caminho sem volta”, concluiu.
“A formação continuada deve ir além do uso mecânico da tecnologia; precisamos de um uso crítico e intencional”, ressaltou Dias.
Desafios e oportunidades da IA
Com a capacidade da IA de automatizar rotinas, o professor Marcio aponta que isso pode liberar um tempo valioso para que os educadores se dediquem ao planejamento e ao acompanhamento individualizado dos alunos. Entretanto, a escolha de abordagens pedagógicas deve sempre depender do julgamento humano.
Jaime Guilherme de Oliveira, professor em Taguatinga, também vê a IA como uma aliada no ensino de computação gráfica, adaptando avaliações e criando conteúdos interativos, como o jogo interativo Arena ABNT, que facilita o aprendizado das normas para trabalhos acadêmicos.
Futuro da inteligência artificial na educação
O Ministério da Educação (MEC) planeja lançar uma nova resolução visando ampliar o uso pedagógico da inteligência artificial, protegendo a autonomia dos professores e assegurando segurança aos alunos. A expectativa é que esse documento ofereça diretrizes claras para uma adoção responsável e inclusiva da tecnologia nas escolas.
Com a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, o MEC informou que, até julho de 2023, 78,7% das escolas monitoradas estavam conectadas a internet dentro dos parâmetros de qualidade adequados. “O país passa agora a contar com um parâmetro nacional unificado para a adoção ética da inteligência artificial em todas as etapas de ensino”, destacou a nota do MEC.



