EconomiaEducaçãoEleiçõesMundoPolítica

Derrota de Trump abre caminho para mudança nas intervenções dos EUA na América Latina

Mudança na política de intervenções dos EUA na América Latina é esperada após derrota de Trump e nova maioria democrata no Congresso

A recente derrota do presidente Donald Trump nas eleições dos Estados Unidos, que resultou na perda da maioria republicana na Câmara e no Senado, pode sinalizar um novo rumo para a política externa americana, especialmente em relação à América Latina e ao Brasil. A mudança política gera expectativa sobre uma possível redução das intervenções diretas da Casa Branca na região e abre espaço para um diálogo mais construtivo sobre tarifas comerciais com o Brasil.

Tradicionalmente, a administração Trump tem enfatizado a “proeminência” dos EUA na América Latina, buscando minimizar a influência chinesa através de medidas contundentes, como a invasão da Venezuela em janeiro de 2026. Esta ação culminou em um controverso acordo que reservou 21% do petróleo venezuelano para uma empresa vinculada ao Pentágono, permitindo que parte do petróleo fosse comercializado a preços de custo.

Segundo Camila Vidal, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a nova composição do Congresso, agora majoritariamente democrata, deve impor limites significativos às ações do presidente Trump. Isso inclui um controle mais rigoroso sobre os gastos destinados a operações no exterior e a possibilidade de investigações que possam atingir membros do seu governo.

“O setor defensivo, por exemplo, pode enfrentar uma contenção de recursos. Na América Latina, isso poderá ser percebido mediante uma diminuição da ênfase nas políticas intervencionistas, especialmente dentro do Escudo das Américas”, analisa Vidal.

O Escudo das Américas, uma das principais iniciativas da administração Trump visando combater os cartéis de drogas, tem sido criticado como uma ferramenta de interferência dos EUA. Um caso emblemático ocorreu na Bolívia, onde o procurador-geral Roger Mariaca foi detido sob a acusação de colaboração com o narcotráfico. Sua prisão gerou suspeitas, visto que ele liderava uma investigação sobre Fernando Cerimedo, um importante operador ligado à administração Trump.

Implicações Tarifárias

Além de sua política externa, o tarifácio imposto por Donald Trump ao Brasil tem sido visto como uma movimentação política focada nas eleições brasileiras de outubro. Para o governo brasileiro, tais tarifas não apenas complicam relações comerciais, mas também revelam uma estratégia de interferência eleitoral. O cientista político Juliano Machado Pires argumenta que a derrota de Trump pode ser um incentivo para que ele busque um entendimento mais favorável com o Brasil.

“A derrota eleitoral pode ensinar a Trump que o foco deve estar na recuperação econômica. Agredir o Brasil neste momento é inviável”, comentou Pires à Agência Brasil. Ele também ressaltou a pressão que o secretário de Estado, Marco Rubio, enfrentará diante do novo cenário democrático no Congresso, exigindo mais clareza sobre a política externa dos EUA.

Pires sugere que, se a administração Trump optar pela racionalidade, este seria o momento ideal para restaurar as relações com o governo brasileiro, abordando questões como tarifas, recursos raros e data centers. Contudo, ele não descarta a chance de que a Casa Branca busque criar “factóides” internacionais para redirecionar a atenção da opinião pública dos desafios internos que enfrenta.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo