Direitos HumanosEsporteJustiçaPolítica

Monitoramento revela 13 mil ataques a candidaturas LGBT+ nas eleições

Estudo revela que 92,7% dos ataques a candidaturas LGBT+ se direcionaram a mulheres, destacando a crescente violência de gênero nas eleições

A plataforma Sentinela divulgou uma análise alarmante sobre a violência verbal direcionada a candidaturas LGBT+ no período eleitoral, revelando a publicação de 13 mil comentários ofensivos com alvos específicos. Esses dados são parte de um monitoramento que abrangeu 307.185 comentários em contas de candidaturas detectadas por um potencial de agressão, inseridos em um universo superior a um milhão de interações no Instagram.

A avaliação da Sentinela focou em quatro dimensões: presença de violência, identificação do alvo, componentes LGBTfóbicos e sua relação direta com as candidaturas analisadas. Os resultados também revelaram que mais de 11 mil contas diferentes estiveram envolvidas nos ataques, sendo que um grupo de 224 contas mais ativas gerou 1.718 comentários, indicando uma concentração de comportamento agressivo em determinados perfis.

Gui Mohallem, do Instituto Plena Cidadania (IPC), destaca que a repetição de mensagens ofensivas por múltiplas contas em curto espaço de tempo sugere uma coordenação nos ataques. Ele ressalta que essa abordagem permite identificar ações potencialmente orquestradas, seja por grupos de pessoas ou por automação.

A metodologia da Sentinela, que combina coleta automatizada, classificação e inteligência artificial, foi desenvolvida pelo IPC, uma organização que visa fortalecer a infraestrutura democrática no Brasil. A plataforma garante que não incluiu falsos positivos, adotando critérios conservadores para a classificação de comentários e evitando resultados inflacionados.

Os dados indicam que 92,7% das agressões se dirigiram a candidaturas de mulheres LGBT+ e 83,6% afetaram candidaturas negras LGBT+. Mohallem questiona o impacto dessa violência de gênero na democracia, ressaltando que ser mulher e candidata implica em riscos constantes de ataques. A Sentinela também se propõe a identificar padrões de agressões, contribuindo para a proteção de candidatos em situações vulneráveis.

Em 23 de setembro, o IPC protocolou uma denúncia junto à Justiça Eleitoral contra três candidatos que realizaram ataques discriminatórios contra mulheres candidatas à reeleição. Além disso, a Sentinela oferece um canal para que políticos relatem agressões, incluindo ameaças sérias que, muitas vezes, são difíceis de rastrear devido à localização de servidores em outros países.

Para apoiar as candidaturas alvo de ataques, a Sentinela disponibiliza um serviço de amparo psicológico, oferecendo sessões de terapia sigilosas e gratuitas com uma equipe especializada em questões políticas e diversidade. O monitoramento da Sentinela se expande para além das fronteiras brasileiras, com planos de atuação em outros países da América Latina, como Argentina e México, em 2027. Mohallem enfatiza a importância de uma articulação regional contra a violência política, dada a organização de grupos antidireitos em um cenário internacional.

Mostrar mais
Leia também

Artigos relacionados

Deixe um comentário

Botão Voltar ao topo
Don`t copy text!

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios