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TSE pode bloquear canais de comunicação política no WhatsApp 48 horas antes das eleições

TSE planeja bloquear canais de WhatsApp com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas que antecedem e 24 horas que seguem o segundo turno das eleições

Um novo projeto de resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) propõe a desativação de canais de WhatsApp com temas políticos que possuam mais de 200 mil seguidores durante períodos críticos das eleições. A medida, que visa proteger a integridade do pleito, impediria a circulação de informações nas 48 horas que antecedem e nas 24 horas que seguem o segundo turno, agendado para o próximo domingo (25).

Se aprovada pelo plenário do TSE, a resolução entrará em vigor imediatamente, conforme indicado na minuta obtida pela Agência Brasil.

O documento surgiu após debates nas reuniões informais do TSE realizadas nos dias 16 e 20 de outubro, com redação do ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte. Em comunicado, o gabinete de Mendonça esclareceu que sua autoria se baseia em uma tradição na qual normas eleitorais são redigidas por esse cargo, e não uma iniciativa pessoal.

Segundo a nota, a intenção é “proteger a integridade do pleito nas horas que antecedem e sucedem a votação”, já que nesse intervalo não há tempo para que conteúdos inadequados sejam removidos ou corrigidos. O texto foi elaborado com base em um consenso entre os ministros e garante que “os critérios são objetivos e se aplicam igualmente a todos os canais político-eleitorais, independentemente do candidato ou partido”.

Se efetivada, a proposta afetaria canais como “Exército do Lula”, que alcançou 7 milhões de inscritos, e “Tropa do Flávio”, com 2 milhões de seguidores, ambos no WhatsApp.

Detalhes da Proposta

A minuta estabelece que canais de grande audiência com mais de 200 mil seguidores terão as mesmas restrições que já se aplicam ao conteúdo pago de campanhas eleitorais, visando coibir a disseminação de informações ilícitas. O documento ressalta que “o período de 48 horas antes e 24 horas depois da votação é crítico, apresentando alto risco de dano irreversível à vontade do eleitor, por falta de tempo para respostas ou esclarecimentos”.

Contexto e Controvérsia

A resolução é um desdobramento de conflitos jurídicos envolvendo o canal “Exército do Lula”. Na semana passada, o canal foi temporariamente retirado do ar pelo presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, em resposta a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que alegou divulgação de desinformação. Contudo, o corregedor nacional da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o canal, argumentando que a suspensão não tinha base suficiente e que o caso já estava sendo tratado judicialmente.

Após essa decisão, Nunes Marques voltou a suspender o canal, afirmando que, apesar de ser gerido por um apoiador, o deputado André Janones (Rede-MG), o canal precisava apresentar registro oficial junto ao TSE por vincular-se à campanha. Por fim, o canal foi liberado após o registro adequado ser realizado pela campanha oficial.

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