
Em um movimento inédito nas eleições de 2023, os candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, assinaram um termo que autoriza a abertura do sigilo bancário, fiscal e telefônico deles até às 23h59 desta quinta-feira (22). O documento foi apresentado pelo senador Camilo Santana (PT-CE) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e marca um ponto importante na transparência das campanhas.
“Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Nantes Bolsonaro, candidatos à Presidência da República, ao reconhecer os termos deste desafio, autorizam a abertura total e simultânea dos respectivos sigilos”, afirma o texto do acordo.
A proposta foi protocolada no TSE e será analisada pelo ministro André Mendonça, que relatará o caso na Corte. Representantes das campanhas de Lula e Flávio estiveram presentes no tribunal para formalizar o acordo.
Camilo Santana, coordenador da campanha de Lula, foi acompanhado por figuras importantes, como o presidente do PT, Edinho Silva, e o secretário-geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. A advogado Maria Cláudia Bucchianeri, que representa a equipe de Flávio, e o senador eleito Deltan Dalagnol (Novo-PR) também participaram das discussões.
O acordo prevê, além da quebra de sigilo dos candidatos, a inclusão de familiares e pessoas jurídicas a eles relacionadas. Essa medida é especialmente significativa dada a recente controvérsia em torno das finanças de Flávio, que admitiu a inclusão da empresa Alcazar Holdings, ligada ao advogado Willer Tomaz, em um inquérito por suposta lavagem de dinheiro.
Condições do Acordo
Lula também aceitou as condições apresentadas por Flávio, incluindo a quebra de sigilo do seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, e a divulgação dos gastos com cartões corporativos da Presidência, além da agenda da primeira-dama, Janja Lula da Silva.
A troca de desafios sobre a quebra de sigilos começou no último domingo (18), quando Lula propôs a divulgação simultânea de informações durante um debate na emissora de TV Band. Em resposta, na terça-feira (20), Lula formalizou no TSE a sua autorização para a quebra de sigilos, condicionando-a à ação correspondente de Flávio.



