Um craque do jornalismo esportivo pendura a caneta
Depois de 35 anos na TV, ele se despede relembrando momentos marcantes


Muitos jovens que ingressam no jornalismo sonham em cobrir esportes. E a maioria tem como referência Tino Marcos. Mas nesta terça-feira (2), o craque do jornalismo esportivo decidiu pendurar a caneta e o microfone. Chega ao fim uma longa história de 35 anos na Rede Globo registrando e contando tudo o que aconteceu no mundo do futebol e dos esportes olímpicos.
O jornalista de 58 anos tem no seu vasto currículo as coberturas de oito copas do mundo, mais seis transmissões de Olimpíadas, além de diversos jogos de futebol dos clubes do Rio de Janeiro e dos outros brasileiros.
Tino Marcos iniciou a carreira no Jornal dos Sports e nem planejava trabalhar em televisão. Em 1985, mudou os planos ao ser convidado para trabalhar na TV Globo. Com a Seleção Brasileira, Tino viveu os momentos mais marcantes da carreira. Foram 30 anos de cobertura.
Decisão
Ele contou ao site do Globo Esporte as decisões que o fizeram com que saísse da emissora. “É preciso entender o modelo de trabalho que eu vinha tendo no último ano. Eu passei a ter uma combinação de fazer grandes reportagens, grandes séries, como estava fazendo a série olímpica do Jornal Nacional. Trabalhar menos dias no ano. E estava ótimo. O modelo de trabalho que eu vinha tendo era voltado para grandes produções. E esse seguimento foi diretamente atingido pela pandemia”, conta.
“Ficou uma condição mais voltada para esse tipo de matéria que temos feito através da internet, com poucas coisas do que eu sempre gostei de fazer… Captar, olhar as imagens, escrever, produzir. Isso se resumiu muito. Mas me preparei para isso gradativamente. Tive a cumplicidade total da direção na condução desse tipo de modelo”.
Tino Marcos também sempre teve um olhar especial com os jovens que iniciavam a carreira no jornalismo esportivo. E dava dicas que na visão dele eram essenciais para o desenvolvimento de novos profissionais. “Sempre gostei e orientei os mais jovens: tenta ser rápido, fazer matéria rápida quando tem que ser rápido, simples, e também a fazer matérias com fôlego, com roteiro. Com o tempo, comecei a ficar cansado desse modelo de cobertura diária.
Momentos marcantes
O jornalista destaca momentos marcantes em toda a sua carreira. E com toda segurança ele explica que as Copas de 1994, 2002 e 2014 foram e ainda são inesquecíveis.
O número 1 é 94. Dia 17 de julho de 1994, o tetra. Aquela história da volta olímpica, eu pulei, entrevistei os caras. O Galvão disse que era a consagração do repórter. O único cara que entrou em campo e entrevistou os tetracampeões, vinte e quatro anos depois. Era um negócio assim, uma catarse. Uma apoteose. Um brasileiro vivendo aquilo ali. Então, para mim, isso vai ser sempre o número 1. (NR: Tino Marcos entrou em campo como auxiliar do repórter cinematográfico Daniel Andrade. Naquela ocasião, o repórter de campo não poderia estar no gramado. No fim do jogo, com o microfone em punho, ele entrevistou os principais jogadores da seleção brasileira com exclusividade para a TV Globo).
A conquista de 2002 também foi um negócio imenso. Eu tinha 40 anos. No dia dos meus 40 anos foram o Felipão e o Murtosa ali. Eu já era um repórter com experiência. Aí ganha, aquela coisa maravilhosa.
As Olimpíadas de 2004 foram muito marcante para mim. Sempre fui muito associado ao futebol, Seleção e eu tive a oportunidade de fugir desse estereótipo. Em 2004, o futebol não foi, o futebol não se classificou e fui para cobrir outros esportes. Foi maravilhoso. Eu adoro vela e o Robert Scheidt e o Torben ganharam o ouro. O judô… Cobri nove medalhas. E culminou com a história do Vanderlei. Para mim, foi a grande história daqueles Jogos. Foi espetacular. Essas são lembranças grandiosas.
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