Santos

Professor organiza encontro com turma que nunca se viu pessoalmente

Angelo Alvarez promoveu excursão com seus alunos de escola técnica que tem aulas juntos desde 2020, mas nunca se encontraram pessoalmente.

José Angelo Alvarez, de 61 anos, é professor na Etec Escolástica Rosa em Santos. Após um ano e meio tendo aulas no modo virtual devido à pandemia de Covid-19, o professor promoveu um encontro com os alunos a céu aberto. “Mesmo tendo aulas juntos há mais de um ano, nunca nos vimos pessoalmente”, comentou.

Angelo contou que é professor há mais de três décadas e sempre deu aulas presenciais. O profissional da educação, entretanto, começou a produzir aulas próprias para o ensino à distância (EAD) em 2013, após especialização no assunto. Ele afirma que há muitas diferenças entre aulas próprias para o EAD e as aulas em modo virtual.

Segundo o professor, as aulas para o ensino à distância já são produzidas pensando que serão gravadas, não contando com nenhuma interação momentânea, o que difere das aulas em modo virtual, que são ao vivo. Ele comenta da dificuldade em dar aulas em frente a uma tela de computador. “Fica muito impessoal”, desabafa.

Pensando nessa dificuldade, Angelo imaginou como estariam os alunos, que também estavam lidando com essa realidade que surgiu abruptamente. “Quando me toquei que estava totalmente imunizado e os alunos já estavam com a primeira dose, pensei ‘Por que não fazer um encontro com todo mundo em um lugar aberto?'”, relembrou.

Percepções do ‘novo normal’

O professor Angelo comenta que, apesar de dificultar as relações entre professor e aluno e entre os alunos em si, a realidade de encontros virtuais “veio para ficar”. “Eu diria que o virtual é o futuro, mas não. Já é o presente. Hoje até entrevistas de emprego são feitas no virtual”, pontua.

Além disso, o profissional da educação disse em entrevista ao G1 que no modo virtual as diferenças sociais dos alunos ficam muito mais explícitas. “Algo que aprendi depois de mais de 30 anos dando aula é que no presencial muitas vezes não distinguimos as diferenças de classes sociais dentro de uma sala de aula. No virtual, essa diferença fica bastante perceptível”, relatou.

Para o futuro, o professor comenta que planeja realizar mais reencontros pessoalmente entre os alunos, sempre com máscara e álcool em gel. Angelo comenta, também, que a pior condição do virtual é a falta de contato entre pessoas. “O olho no olho é muito importante e faz diferença”, conclui.

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