Dólar sobe para R$ 5,19 e bolsa recua em meio a incertezas internacionais
Dólar atinge maior valor desde agosto, impactado por aumento de juros nos EUA e incertezas geopolíticas, enquanto bolsa cai quase 1%


Na última quinta-feira (24), o dólar comercial fechou em alta, cotado a R$ 5,193, o maior valor desde o fim de agosto. A moeda americana apresentou uma valorização de 0,47%, após iniciar o dia a R$ 5,16 e alcançar a máxima de R$ 5,202 por volta das 15h. Em contrapartida, a bolsa de valores registrou uma queda de quase 1%, encerrando o dia em 183.965,91 pontos.
O desempenho da moeda no mercado financeiro brasileiro foi influenciado por um clima de aversão a risco nos mercados internacionais, que enfrentaram alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e um aumento nos preços do petróleo, amid incertezas nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã. Além disso, investidores locais estavam atentos às novas projeções econômicas divulgadas pelo Banco Central e ao cenário fiscal do país.
Em setembro, a cotação do dólar acumulou uma alta de 0,26%, embora ainda apresente uma queda de 5,39% ao longo do ano. O índice DXY, que avalia o desempenho do dólar em relação a outras moedas, subiu 0,14%, atingindo 101,270 pontos.
O rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos subiu para 5,2209%, o maior nível desde 2007, em meio a preocupações com a inflação nos Estados Unidos e a expectativa de manutenção das taxas de juros elevadas pelo Federal Reserve. Esse movimento costuma provocar a fuga de capitais de países emergentes, incluindo o Brasil.
O Banco Central do Brasil também interveio no mercado de câmbio, vendendo US$ 1 bilhão em dois leilões de linha, um mecanismo que aumenta a liquidez e a oferta de moeda estrangeira. Às vésperas, a autoridade financeira havia informado um fluxo cambial negativo de US$ 7,078 bilhões em setembro até o dia 18. Além disso, o BC revisou suas projeções de crescimento do PIB, reduzindo a expectativa para 2026 de 2% para 1,8%.
O índice Ibovespa acompanhou a tendência negativa do mercado, fechando com uma queda de 0,99%. A sessão observou os ativos de risco sendo desvalorizados à medida que os investidores reagiam à alta dos juros nos EUA e à elevação nos preços do petróleo, que despertou temores de inflação. O governo brasileiro anunciou também novas previsões financeiras, reduzindo a necessidade de contenção de despesas, mas aumentando a projeção de déficit para 2026 em R$ 80,9 bilhões.
O preço do petróleo registrou alta significativa, com o barril do tipo Brent subindo 3,41%, a US$ 106,60. O tipo WTI, referência nos EUA, avançou 2,65%, sendo cotado a US$ 94,61. A escalada nos preços do petróleo ocorreu em meio a incertezas sobre as negociações entre os Estados Unidos e o Irã, além da possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz. No entanto, as cotações apresentaram uma leve correção durante a tarde devido a rumores sobre potenciais acordos entre os dois países.
As mudanças nos preços do petróleo têm implicações diretas sobre a inflação e as expectativas de taxa de juros em diversas economias, o que continua a ser uma preocupação para os mercados globais.



