Festa Literária das Periferias destaca feminismo negro até domingo no Rio

Festa Literária das Periferias celebra feminismo negro em sua 16ª edição com debates e homenagens a figuras influentes da literatura e sociedade

A 16ª edição da Festa Literária das Periferias (FLUP) acontece até domingo (27) no centro do Rio de Janeiro, com suas atividades concentradas na Praça Tiradentes e no Teatro Carlos Gomes. O evento traz como tema este ano “As Filhas das Filhas das Filhas”, que destaca a importância do feminismo negro.

A homenageada da edição é Ana Maria Gonçalves, a primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras. Segundo os organizadores, o festival visa provocar reflexões sobre as heranças que atravessam gerações, destacando as histórias que resistem ao apagamento e as contribuições das mulheres que, ao longo da história, geraram comunidades, saberes e futuros.

Julio Ludemir, diretor da FLUP, ressalta que o tema representa uma “grande revolução em curso no Brasil”, fruto das ações afirmativas. Ele menciona que figuras como a escritora e filósofa Djamila Ribeiro têm raízes em ancestrais que eram trabalhadoras domésticas.

Ludemir citou a obra “Um Defeito de Cor”, de Gonçalves, destacando a personagem Kehinde como um exemplo de como as mulheres negras brasileiras utilizam suas habilidades extraordinárias para empreender e se libertar. “As Filhas das Filhas das Filhas é uma homenagem a essa revolução que estamos presenciando”, afirmou.

Ele ainda afirmou que Ana Maria Gonçalves é autora do “livro mais importante da história da literatura brasileira” e que, desde 2018, a FLUP mantém um foco crescente no feminismo negro, uma novidade que está transformando a sociedade em sua base.

No sábado (26), a programação inclui uma entrevista do jornalista Chico Regueira com o intelectual Nei Lopes, no evento “A cidade inventada pelo samba”, que acontece das 14h às 15h30 no Teatro Carlos Gomes. Às 16h, Ana Maria Gonçalves e Jurema Werneck entrevistam Kimberlé Crenshaw, famosa pelo conceito de interseccionalidade.

No domingo (27), o debate “Ninguém poderia me parir senão eu mesma” contará com Linn da Quebrada e Vita Pereira, mediado por Artur Amaro, às 14h. Às 16h, haverá discussão com Antonio Pitanga, Dom Filó e Helena Theodoro sobre o legado cultural, mediada por Sabrina Fidalgo.

A programação completa está disponível na página oficial da festa.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo