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MPF mantém Paulo Gonet à frente das investigações do caso Master

Conselheiros do MPF se unem para manter Paulo Gonet no comando das investigações do caso Master após questionamentos sobre sua conduta

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) decidiu, em votação realizada nesta sexta-feira (25), manter o procurador-geral da República, Paulo Gonet, à frente das investigações do caso Master. A deliberação foi favorável ao arquivamento do pedido de afastamento de Gonet, feito pelo Partido Novo, que levantou suspeitas de prevaricação na condução do caso.

O relator, subprocurador-geral Francisco de Assis Sanseverino, e os conselheiros Celso de Albuquerque Silva e Janice Agostinho Barreto Ascari votaram pela manutenção de Gonet no comando das investigações. Apesar de apoiar o arquivamento, Ascari destacou que alguns pontos merecem mais esclarecimentos.

A análise da denúncia começou às 10h e foi interrompida para um intervalo de almoço após os primeiros votos. O colegiado, composto por nove subprocuradores-gerais, é responsável por autorizar investigações que tenham o procurador-geral como alvo.

A representação do Partido Novo se baseou em menções a Gonet em mensagens e anotações recuperadas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O partido argumenta que essas menções comprometem a atuação de Gonet. Vorcaro é o principal alvo da Operação Compliance Zero, que investiga corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias. Ele está preso preventivamente desde novembro de 2022.

O relator Sanseverino defendeu a atuação de Gonet, afirmando que a representação não apresentou elementos que indicassem crime. Ele ressaltou a importância de não analisar comunicações de forma isolada, para evitar interpretações errôneas. O subprocurador afirmou que Gonet respeitou os princípios da legalidade, utilidade e eficiência nas investigações.

Sanseverino também considerou insuficientes as referências a uma suposta amizade entre Gonet e Vorcaro. Ele mencionou que não há registros de comunicações diretas entre eles, e contestou a interpretação de que uma anotação no celular de Vorcaro indicasse qualquer relação próxima. Quanto a uma foto de Gonet com Vorcaro e outros, o relator enfatizou que se tratou de um encontro social sem indícios de amizade íntima.

A mensuração das menções a Gonet no celular de Vorcaro surgiu após a liberação do sigilo de um relatório pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Em sua atuação, Gonet solicitou a anulação desse relatório, argumentando que o avanço em investigações relacionadas a um colega de tribunal feriria competências do plenário do STF.

Desde a revelação inicial, mais menções a Gonet em conversas entre Vorcaro e o advogado Ciro Soares vieram à tona. Gonet reconheceu a autoria de uma mensagem atribuída a ele, mas alegou que foi uma cortesia antes de surgirem suspeitas. Em outra conversa, Soares consultou Vorcaro sobre a possibilidade de custear a viagem do filho de Gonet para um evento em Londres, mas o procurador negou qualquer envolvimento. O evento foi posteriormente cancelado devido ao escândalo do caso Master.

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