Professores adotam inteligência artificial para transformar o aprendizado e estimular a participação dos alunos
Iniciativa de professora utiliza inteligência artificial para inspirar crianças sobre futuro profissional, gerando reações emocionantes e viralizando nas redes sociais


Na Escola Estadual Professor Carlos Cristovam Zink, em Campinas (SP), a professora Giovanna Macedo, de 27 anos, transformou uma pergunta clássica do cotidiano escolar em uma experiência inovadora. Com o auxílio da inteligência artificial (IA), ela proporcionou a 31 alunos do 4º ano do ensino fundamental a chance de visualizar como seriam em suas futuras profissões. A iniciativa, que já gerou bastante repercussão nas redes sociais, utiliza o ChatGPT para projetar as crianças em ofícios que sonham, desde jogador de futebol até astronauta.
Giovanna capturou fotos das crianças em 2025 e as usou para criar um vídeo que mostra suas reações ao verem suas versões adultas em profissões desejadas. “Para mim, como professora, é muito significativo criar situações em que os alunos se sintam valorizados e vejam que alguém acredita neles”, conta, destacando a importância de incentivar a autoimagem e o potencial dos jovens.
A surpreendente viralização do vídeo serviu como um lembrete sobre o poder da educação aliada à tecnologia, especialmente em um contexto onde os alunos, frequentemente oriundos de bairros periféricos, têm suas aspirações impulsionadas por inovações pedagógicas. Em entrevista à Agência Brasil, Giovanna revelou que, apesar de não ter formação técnica em IA, utiliza a tecnologia intuitivamente, sempre buscando estimular a curiosidade dos alunos.
“Mais do que utilizar uma tecnologia nova, nosso papel é encontrar formas de despertar a curiosidade das crianças, fortalecer a autoestima e ampliar os horizontes delas”, afirma a professora.
Cultura Digital e Formação de Professores
Em tempos de transformação digital, Kassula Correa, diretora-geral da Start Anglo Bilingual School, no Rio de Janeiro, destaca a necessidade de adaptação das escolas a um ambiente onde as crianças já possuem acesso facilitado à informação, mas muitas vezes carecem de habilidades críticas para interpretar esses conteúdos adequadamente. “Precisamos oferecer ferramentas, formação e condições para que o professor ensine de acordo com o ritmo e as dúvidas da nova geração”, ressalta Kassula.
Marcio Luiz Dias, educador e doutorando em Educação, enfatiza também a importância da formação continuada para que docentes possam incorporar tecnologias como a IA de forma crítica e eficaz. “As mudanças ocorrem em velocidade tão rápida que torna praticamente impossível que o currículo das faculdades esteja sempre atualizado”, considera. Ele acredita que, mesmo com receios, a adoção da IA na educação se tornará um processo sem volta.
“É um caminho que já está sendo trilhado e que pode transformar a maneira como ensinamos”, avalia Marcio, que trabalha na formação de professores do Distrito Federal.
Desafios e Oportunidades
Os educadores reconhecem que a IA não substitui o papel insubstituível do professor, mas pode auxiliar na automação de tarefas administrativas e repetitivas, liberando mais tempo para o acompanhamento das necessidades individuais dos alunos. Jaime Guilherme de Oliveira, professor de computação gráfica em Taguatinga (DF), é um exemplo de como a IA pode ser utilizada para enriquecer o ensino. Ele cria conteúdos e adapta avaliações com a ajuda da tecnologia, sempre com a intenção clara de promover aprendizado significativo.
“A ferramenta pode fazer muito por nós, mas a intenção e a sensibilidade continuam sendo essencialmente humanas”, destaca Jaime.
O Ministério da Educação (MEC) também se prepara para publicar uma nova resolução que visa ampliar a utilização pedagógica da IA nas escolas. De acordo com a pasta, o documento terá como objetivo garantir o uso ético e responsável da tecnologia, promovendo um ambiente de aprendizado mais seguro e inclusivo.
Com a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), o governo revelou que, em julho deste ano, 108.658 escolas estavam conectadas dentro dos parâmetros de qualidade adequados, refletindo um esforço contínuo para assegurar que as instituições de ensino possam acompanhar as rápidas transformações do mundo digital.
À medida que a IA e novas tecnologias avançam, fica claro que o futuro da educação está em construir um espaço em que o aprendizado crítico e humano se mantenha no centro da experiência educativa.



