Produção de grãos no Brasil deve crescer mesmo com efeitos do El Niño
Mesmo com os desafios impostos pelo El Niño, Brasil deve aumentar a produção de grãos, impulsionada pela expansão da área cultivada e mercado interno favorecido


A produção de grãos do Brasil para a safra 2026/2027 está projetada para ultrapassar a marca de 367 milhões de toneladas, revelando um crescimento de 1,4% em comparação com a safra anterior. A previsão foi divulgada nesta quinta-feira pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com base nos dados do 1º Levantamento de Safra de Grãos 2026/2027.
Esse aumento na produção é atribuído especialmente à expansão da área cultivada, que deverá crescer 2,3% e alcançar 85,4 milhões de hectares.
Em relação à soja, a colheita deverá mostrar um leve incremento de 0,7%, totalizando 181,6 milhões de toneladas. A área destinada ao cultivo também deverá aumentar em 1,4%, especialmente nos estados de Mato Grosso e Paraná, que juntos representam mais de 60% da área de plantio da oleaginosa.
Para o milho, a produção pode registrar um crescimento de 2,4%, com volume projetado de 148 milhões de toneladas. Esse aumento é impulsionado pela elevação da área plantada, que deve crescer 4,9% em relação à safra 2025/2026.
Quanto ao feijão, a produção deverá permanecer estável, com uma estimativa de 2,9 milhões de toneladas. A área semeada na primeira safra é projetada para ser de 808,2 mil hectares, um aumento de 1,9% em relação ao ano anterior, enquanto a segunda safra deve produzir 963,1 mil toneladas, uma queda de 1,1% comparada à safra anterior. É importante destacar que o Brasil realiza três colheitas de feijão anualmente.
Impactos na produção de arroz
A Conab sinaliza uma queda de 2,9% na produção de arroz, apesar do aumento na área plantada. O cultivo em sequeiro deve crescer 7,1%, mas a produção em áreas alagadas, que representa a maior parte da produção nacional, deverá permanecer estável, com uma leve alta de 0,4%.
A redução na produtividade é atribuída ao fenômeno do El Niño, que afetará o volume de chuvas na Região Sul, a principal área de cultivo de arroz no Brasil. De acordo com o Painel do El Niño, espera-se que o fenômeno atinja o Brasil com força no segundo semestre de 2026 e no início de 2027. Isso pode resultar em chuvas acima da média, trazendo riscos de inundações e tempestades, especialmente em estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Por outro lado, as regiões Norte e Nordeste enfrentarão uma severa estiagem, enquanto o Centro-Oeste e o Sudeste sofrerão com o calor extremo.
A previsão para a produção de trigo é de 5,7 milhões de toneladas, o que representa uma queda de aproximadamente 27,2% em relação à safra anterior, resultado da diminuição da área plantada e da queda na produtividade do cereal.
Exportações
As exportações de soja devem alcançar 117,97 milhões de toneladas, com um crescimento de 1,5% sobre a safra anterior. Já no caso do milho, as exportações são esperadas em 43,9 milhões de toneladas. No entanto, o destaque para o milho será o crescimento do mercado interno, que deve aumentar em 6,6% devido à produção de etanol.
Por fim, a exportação de arroz deve ser reduzida em 17,4%. Essa diminuição se deve à previsão de uma produção menor, o que resultará em maior consumo do grão pelo mercado interno, que permanecerá estável.



