Defesa alega que evidências digitais de Vorcaro foram alteradas
Defesa de Vorcaro argumenta que evidências digitais foram manipuladas enquanto seu celular estava sob custódia da Polícia Federal


A defesa de Daniel Vorcaro apresentou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma perícia do celular do ex-banqueiro, apreendido pela Polícia Federal (PF) em 17 de novembro de 2025, que traz à tona novas questões sobre a validade das provas no caso em andamento.

O laudo indica que houve manipulação significativa dos dados: 657 arquivos foram modificados e 436 criados após a apreensão do equipamento, levantando dúvidas sobre a integridade das informações coletadas.
Para os advogados de Vorcaro, a descoberta evidencia a impossibilidade de se avaliar a totalidade do conteúdo encontrado no celular e a extensão das alterações nos arquivos. A defesa descreveu como “estarrecedor” que tantas modificações tenham sido registradas enquanto o celular estava sob custódia da PF.
“É estarrecedor que o perito tenha identificado que centenas de arquivos do celular apresentem registros de modificação quando já estavam sob custódia da Polícia Federal e do Estado”, declarou a defesa.
Com base no laudo, a defesa solicitou ao STF que a PF forneça os dados originais do aparelho para uma análise mais detalhada, além de pedir a libertação de Vorcaro, que já está detido há mais de oito meses sem acusação formal. “É inconcebível que Daniel Vorcaro esteja custodiado há mais de oito meses, com a liberdade restringida há quase um ano, sem que haja contra ele qualquer acusação formal ou perspectiva de processo, o que torna sua soltura urgente, necessária e obrigatória”, argumentaram os advogados.
Segundo o pedido, o simples fato de os registros de modificação existirem não implica que as alterações tenham sido feitas por uma pessoa em específico, mas indica que algo mudou no estado dos arquivos enquanto o celular estava em posse do estado.
Indiciamento
Vorcaro e 14 outros investigados na Operação Compliance foram indiciados pela Polícia Federal na última quarta-feira (28). O relatório da PF aponta que ele teve uma “participação pessoal, reiterada e diretiva” nas operações que resultaram em prejuízos ao Banco Regional de Brasília (BRB) por meio de carteiras de créditos irregulares.
Como controlador do Banco Master, Vorcaro estaria no centro das decisões que beneficiaram economicamente suas operações ilegais, conforme concluiu o relatório da PF. Todos os envolvidos no caso enfrentam acusações de gestão fraudulenta de instituições financeiras, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Outro lado
Após o indiciamento, os advogados de Vorcaro refutaram as alegações e negaram que as operações no BRB tenham causado prejuízos ao banco público.
De acordo com a defesa, um ano após o início das investigações, a PF não apresentou novas evidências, apenas reiterando a mesma narrativa. “O negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído. As carteiras foram substituídas por outros ativos, e a troca realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília. Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo”, afirmaram os advogados.



