Denúncias de assédio eleitoral atingem mais de 7 mil, revela Ministério
Ministro do Trabalho faz apelo a empresários após registro de mais de 7 mil denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho


O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) registrou um alarmante aumento nas denúncias de assédio eleitoral nos ambientes de trabalho, com mais de 7 mil relatos recebidos até o momento. Em um apelo contundente, o ministro Luiz Marinho pediu aos empresários que ameaçaram ou demitiram funcionários por motivos políticos que voltem atrás e se retratem publicamente. “Aproveito para me dirigir a todos que ainda pensam em fazer esse tipo de bobagem, recuem”, afirmou Marinho durante coletiva, onde também comentou os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
O ministro enfatizou que a intenção do governo não é punir empregadores de maneira preventiva, mas garantir que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados. Ele recomendou aos empresários que consideraram demitir colaboradores devido ao resultado das eleições que façam uma retratação nas redes sociais. “Para quem eventualmente pensou em demitir alguém por causa do resultado eleitoral, faça o seu recuo tático e se desculpe nas redes. Está tudo certo. Não precisaremos punir ninguém por isso. Mas a punição será severa para aquele que demitir por questões políticas”, declarou.
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O Crescente Número de Denúncias
O número de denúncias registradas quase dobrou na semana que seguiu ao segundo turno das eleições presidenciais. Após a divulgação dos resultados, listas de boicote a estabelecimentos começaram a circular nas redes sociais, juntamente com publicações que incentivavam a demissão de empregados com base em suas preferências políticas.
Até o dia 31 de outubro, o MTE havia formalizado 4.305 denúncias, e este total já ultrapassa 7 mil, conforme relatado por Marinho. Ele, no entanto, destacou que nem todos os relatos se referem a situações concretas de assédio. “Evidentemente, tem que separar o que é denúncia do que é encher linguiça. É como chamar o bombeiro quando não há incêndio. Não sei qual é a proporção de denúncias que são reais e concretas entre as 7 mil”, esclareceu.
As denúncias estão sob análise da Auditoria Fiscal do Trabalho, e o alto número de notificações não indica que todos os casos tenham sido confirmados.
Consequências Legais
A legislação brasileira é clara ao proibir a discriminação de trabalhadores com base em suas convicções políticas. Empregadores que infringirem essa regra podem ser responsabilizados. O Ministério Público do Trabalho (MPT) tem a prerrogativa de recomendar que a conduta ilícita seja interrompida, com a necessidade de retratação pública em até 24 horas. Além disso, pode exigir compensações por danos morais, tanto individuais quanto coletivos.
Em situações de demissão discriminatória, o trabalhador afetado pode escolher entre ser reintegrado ao emprego, com o pagamento retroativo dos salários, ou receber em dobro a quantia referente ao período de afastamento. As empresas que cometerem tais injustiças podem enfrentar multas que equivalem a dez vezes o maior salário pago, com um acréscimo de 50% em caso de reincidência, além de restrições ao acesso a empréstimos e financiamentos em instituições financeiras oficiais.



