Cubatão

Programa Antes que Aconteça reconhece iniciativas de combate à violência de gênero

Iniciativa no Amazonas é destacada por seu trabalho de conscientização e prevenção à violência de gênero entre mulheres indígenas, recebendo menção honrosa do programa federal

A luta pela conscientização e empoderamento das mulheres indígenas no noroeste do Amazonas ganhou destaque nesta quarta-feira (4), quando Cleocimara Reis Gomes, de 38 anos, recebeu uma menção honrosa no Prêmio “Antes que Aconteça”, em Brasília (DF). Coordenadora do projeto Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro, Cleocimara vive na comunidade de Cartucho, a quatro dias de barco de São Gabriel da Cachoeira, onde se empenha para que essas mulheres reconheçam e combatam as diversas formas de violência.

O prêmio, uma das iniciativas da Lei 15.398, promulgada este ano, visa valorizar esforços em todo o Brasil voltados à prevenção da violência de gênero. O evento contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, que destacou a importância de iniciativas como a de Cleocimara.

Reconhecimento e Financiamento

O projeto de Cleocimara é um dos vários reconhecidos em oito categorias, todos recebendo financiamentos que variam de R$ 50 mil a R$ 200 mil. Em entrevista à Agência Brasil, Cleocimara relatou que atende 23 povos e cerca de 100 comunidades indígenas nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro, onde a violência contra a mulher é uma realidade preocupante, muitas vezes ignorada devido à distância dos centros urbanos.

Brasília (DF), 04/11/2026 - Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, participa da cerimônia de entrega do Prêmio Antes que Aconteça. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Cerimônia de entrega do Prêmio Antes que Aconteça – Foto Valter Campanato/Agência Brasil

Cleocimara enfatiza a necessidade crucial de educar as mulheres sobre seus direitos: “É fundamental que a mulher indígena saiba que não deve viver em um cenário de violência.” O projeto propõe transformar a percepção de que a violência é parte da cultura indígena, abrangendo tipos como física, sexual, psicológica e patrimonial, tanto provenientes de invasores quanto de membros da própria comunidade.

“As denúncias demoram a chegar devido às distâncias entre as comunidades”, explica Cleocimara, reforçando a urgência de mais equipamentos públicos para enfrentar essa realidade. Ela também destacou a demanda por envolver homens como aliados na luta contra a violência.

Iniciativas Vencedoras

O trabalho de conscientização se estende a outras iniciativas premiadas na cerimônia, como o projeto realizado pela Associação de Pescadores e Marisqueiras de São Félix (BA), que conquistou o prêmio na categoria “Justiça que Acolhe Mulheres”. Liderado por Cátia Chagas, de 58 anos, o projeto busca atender mulheres humildes e frequentemente silenciadas pela violência, oferecendo suporte psicológico e capacitação para cerca de 600 mulheres, muitas das quais são mães solo.

Outra importante vencedora foi o projeto Dandara, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que apoia cerca de 500 mulheres quilombolas através de cursos e escuta cidadã. Ana Beatriz Bernardes Nunes, presidente da Associação Estadual das Quilombolas do Rio de Janeiro, destaca que essas mulheres, em grande parte, são responsáveis pela gestão de suas comunidades e enfrentam ameaças constantes em razão de suas atividades relacionadas à biodiversidade.

“As mulheres quilombolas são fundamentais na administração dos territórios e carecem de proteção adequada”, ressalta Nunes, reforçando a importância de programas que garantam sua segurança e promovam seu empoderamento.

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