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Ribeirão Preto se torna centro regional para combate a arboviroses com implementação do Método Wolbachia

Ribeirão Preto implementa o Método Wolbachia em 16 bairros para combater arboviroses e se torna centro de produção regional

Ribeirão Preto se destaca como um polo regional no combate ao dengue, Zika vírus e chikungunya com a implementação do Método Wolbachia, uma tecnologia que utiliza mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia, que inibe o desenvolvimento dos vírus no inseto. A iniciativa, anunciada pela Prefeitura de Ribeirão Preto, é uma parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Saúde, e será operacionalizada pela Wolbito do Brasil.

A estratégia será implantada em 16 bairros nas zonas Norte e Oeste da cidade, beneficiando mais de 141 mil moradores. Além de atuar localmente, Ribeirão Preto terá um insetário que fornecerá a produção dos mosquitos para abastecer outras cidades paulistas, como São Carlos, Araraquara e São José do Rio Preto.

O prefeito Ricardo Silva destacou a importância da instalação do insetário, afirmando que Ribeirão Preto se tornará um centro estratégico na difusão do Método Wolbachia na região. O método é respaldado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e já recebe aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Após enfrentar sua pior epidemia de dengue em 2024, com 44.630 casos confirmados, a cidade registrou uma queda significativa na doença. Em 2025, foram contabilizados 21.595 casos e 11 mortes, enquanto em 2026 foram apenas 372 casos até o momento e nenhuma fatalidade.

Segundo o secretário municipal da Saúde, Mauricio Godinho, a chegada do Método Wolbachia é um avanço na estratégia de combate às arboviroses, integrando assistência, vigilância e inovação. Ele enfatizou que a tecnologia será fundamental para o controle de doenças transmitidas por mosquitos em Ribeirão Preto.

O Método Wolbachia funciona de maneira a estabelecer a bactéria no mosquito, que é transmitida à sua prole, reduzindo, assim, a capacidade de transmissão de doenças sem a necessidade de reaplicações recorrentes. A tecnologia, segundo o gerente de implementação da Wolbito do Brasil, Gabriel Sylvestre Ribeiro, não utiliza produtos químicos nem envolve modificação genética.

A coordenadora-geral de Vigilância de Arboviroses do Ministério da Saúde, Lívia Carla Vinhal Frutuoso, destacou que o método já demonstrou eficácia em outras cidades, como Niterói (RJ), onde houve uma redução de 70% nos casos de dengue. A implementação em Ribeirão Preto estará precedida por uma fase ampla de comunicação e engajamento social para educar a população local.

As solturas dos mosquitos ocorrerão semanalmente em locais estratégicos, realizadas por equipes especializadas. Diogo Chalegre, pesquisador da Fiocruz, destacou o histórico positivo de implementação da tecnologia em diversas cidades brasileiras como um dos fatores que respaldam essa nova abordagem como uma política pública no combate às arboviroses.

A introdução do Método Wolbachia se combina a uma série de outras iniciativas já adotadas pela Prefeitura de Ribeirão Preto para reduzir o impacto das epidemias de dengue. O município reforçou sua rede de urgência com estruturas específicas para atender pacientes com sintomas da doença e estabeleceu um modelo de atendimento em “Y” para triagem e classificação de risco. Em ações preventivas, a Vigilância em Saúde tem atuado em bloqueios de criadouros, visitas domiciliares e fiscalização em imóveis, resultando na eliminação de 14.468 focos do mosquito entre janeiro e junho deste ano.

Além disso, Ribeirão Preto conta com 1.300 Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs) que potencializam o controle do vetor ao utilizar o mosquito como agente transportador do larvicida. Essas medidas se somam à implementação do Método Wolbachia em uma estratégia abrangente de enfrentamento às arboviroses na cidade.

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