Mudanças nas diretrizes alteram tratamento da tireoide durante a gestação
Novas diretrizes orientam que gestantes com anticorpos positivos não necessitam de tratamento hormonal se a tireoide estiver funcionando normalmente


Gestantes que apresentam anticorpos positivos contra a tireoide (anti-TPO) e possuem a glândula em funcionamento normal não devem mais utilizar medicamento hormonal. Essa nova diretriz é respaldada por três grandes estudos que demonstraram que o tratamento preventivo não reduz os riscos de aborto ou parto prematuro. As recomendações foram atualizadas pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), conforme uma diretriz publicada pela Associação Americana da Tireoide (ATA) em junho de 2023.
A comunicação sobre essas alterações foi feita na última sexta-feira (28), no Rio de Janeiro, durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, no painel intitulado “Disfunção tireoidiana na gestação: o manejo que evita danos irreversíveis”. O subcoordenador do Departamento de Tireoide da SBEM, Cleo Mesa Júnior, ressaltou que o anticorpo positivo indica apenas uma predisposição a alterações e que, com níveis normais de TSH e T4, não há evidências de que a levotiroxina traga benefícios.
As novas orientações também estabelecem que o Brasil manterá o rastreamento precoce de todas as gestantes, ao contrário da ATA, que sugere um rastreamento seletivo baseado em fatores de risco, como idade materna e obesidade. Segundo o especialista, essa abordagem brasileira busca garantir diagnósticos mais precisos e evitar o uso excessivo de medicamentos desnecessários.
Outra mudança significativa se refere ao tratamento de hipotireoidismo subclínico, onde o TSH está elevado, mas o T4 permanece normal. Agora, o tratamento para níveis de TSH entre 4,0 e 10 mUI/L será focado no primeiro trimestre da gestação, período crucial para o desenvolvimento fetal. Se a alteração for identificada nos estágios posteriores da gestação, a orientação é monitorar a função tireoidiana, exceto se o TSH exceder 10 mUI/L.
As diretrizes também incluem uma atualização sobre a repetição de exames. Enquanto a ATA sugere esperar uma a três semanas antes de decidir iniciar o tratamento, no Brasil recomenda-se realizar a coleta de sangue imediatamente, evitando a perda de oportunidades de tratamento. Fatores de risco para a disfunção tireoidiana foram atualizados, e características como idade materna e obesidade não são mais consideradas determinantes.
Por fim, a nova diretriz destaca a importância da ingestão adequada de iodo durante a gestação e amamentação. No Brasil, a suplementação deve ser individualizada, sendo recomendada principalmente para gestantes em dietas restritivas ou com risco de ingestão insuficiente do micronutriente.



