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Mendonça registra depoimento de Vorcaro após relatos de intimidação

Mendonça ouve Vorcaro após denúncias de intimidação, enquanto investigações sobre fraudes no Banco Master continuam sob sigilo e controvérsias legais

O gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, confirmou que o depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi colhido em seu gabinete. A reunião ocorreu após Vorcaro relatar ter sofrido intimidações e solicitar urgência na audição. A data do encontro não foi divulgada.

O depoimento contou com a presença de um representante do Ministério Público, mas não houve participantes da Polícia Federal. Mendonça é o relator do processo que investiga fraudes ligadas ao Banco Master e, em nota, defendeu o procedimento adotado em relação à ausência da polícia.

“A presença de representante do Ministério Público em audiências dessa natureza é exigência legal. Quanto à Polícia Federal, as normas do Conselho Nacional de Justiça garantem a incolumidade física e psicológica do depoente, o que recomenda o afastamento da equipe policial responsável pela investigação nas audiências em que ele é ouvido”, explicou o ministro.

O ministro ainda afirmou que “tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção”.

A existência deste depoimento foi revelada pelo jornal O Globo na manhã de quarta-feira (2) e confirmada pelo gabinete de Mendonça. Segundo a equipe do ministro, Vorcaro não mencionou o ministro Alexandre de Moraes durante sua declaração.

“O conteúdo da audiência é resguardado por sigilo legal. A informação de que teriam sido abordados temas relacionados ao ministro Alexandre de Moraes não procede”, informou a equipe.

Na terça-feira (1), Mendonça divulgou as investigações da Polícia Federal sobre conversas entre Vorcaro e seus aliados com Alexandre de Moraes. As menções a Moraes foram obtidas por meio da quebra de sigilo do celular do ex-banqueiro, que é alvo da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras no Banco Master.

Em uma das mensagens recuperadas, Vorcaro afirmou a um contato atribuído a Moraes que “estava tentando antecipar os investigadores”, em conversa datada de 17 de novembro de 2025.

Na mesma noite, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a nulidade da investigação da PF. Para Gonet, a ação de Mendonça em aprofundar a apuração sobre o caso Master, envolveu Moraes ilegalmente, sem autorização do plenário do STF.

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