

Os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmaram nesta segunda-feira (14) que receberam da Polícia Federal (PF) a íntegra dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que foi proprietário do Banco Master. A entrega ocorreu após os ministros enviarem ofícios à PF solicitando a liberação do material, que estava retido devido à resistência do ministro André Mendonça, relator do caso Master.
No sábado (13), Mendonça argumentou que a liberação dos dados poderia prejudicar investigações em andamento e complicaria o julgamento das relações entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A solicitação para receber o material foi feita por Zanin e Mendes, que afirmaram precisar de todas as mensagens de Vorcaro, e não apenas das selecionadas pela PF, para poderem participar do julgamento.
O ministro Moraes também solicitou que o relator Fachin enviasse o material a todos os membros do STF, defendendo que não cabe ao relator decidir quais documentos são acessíveis aos demais ministros. Mendonça, por sua vez, afirmou que o acesso aos dados não era necessário, já que todos os juízes possuem acesso ao mesmo conjunto de informações para o julgamento.
Nesta terça-feira (15), o STF deve analisar um relatório da PF que indica que Vorcaro enviou 52 mensagens a Moraes entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que foi preso preventivamente. Essas mensagens incluem uma proposta de contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, além de questionamentos sobre uma operação que poderia resultar em sua prisão.
Até o momento, Moraes nega ter mantido contato com Vorcaro. A PF informou que as respostas enviadas pelo ministro ao ex-banqueiro não puderam ser recuperadas. A Corte ainda não definiu o rito do julgamento nem confirmou se Moraes e Mendonça participarão da sessão. O regimento interno do STF prevê que o plenário é o responsável por processar e julgar os ministros, mas não estipula os procedimentos a ser seguidos.
Durante a sessão de amanhã, o STF deverá decidir se abrirá uma investigação sobre a relação entre Vorcaro e Moraes. Os ministros também devem deliberar sobre um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular o relatório da PF, alegando que as investigações foram conduzidas de maneira irregular, já que Mendonça não comunicou a presidência do Supremo nem solicitou aprovação do colegiado antes de avançar nas investigações contra um colega.
Com a retirada do sigilo do relatório que menciona Moraes, Mendonça pediu que o plenário decidisse sobre a abertura da investigação em relação ao ministro. Em resposta, Moraes apresentou um documento que sugere que Mendonça estaria direcionando investigações de forma a afetar adversários políticos, mas esse documento não possui assinatura nem carimbo da PF, além de ser descrito como uma conjectura sem valor probatório.
Em decorrência disso, Moraes requisitou a abertura de inquérito contra Mendonça por supostas irregularidades, e o presidente do STF agendou a análise desse pedido para o dia 23 de setembro.



