

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou vista do julgamento que definirá se os processos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça devem ser analisados de forma simultânea. O pedido foi feito após uma discussão acalorada entre Mendonça e o ministro Gilmar Mendes sobre a condução do caso Master.
Com essa solicitação, não há previsão para a retomada da análise. O placar parcial do julgamento está em 4 votos a 3. Os ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes votaram a favor do julgamento conjunto, enquanto o presidente do STF, Edson Fachin, além de Luiz Fux, Cármen Lúcia e André Mendonça, optaram pela análise separada. Dino, embora tenha defendido a abordagem conjunta, não contabilizou seu voto no placar, devido ao pedido de vista.
No dia 15 de setembro, o plenário do STF discutiu um relatório da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que relaciona Moraes ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master. Esta sessão extraordinária foi convocada por Edson Fachin.
O relatório que menciona Moraes foi revelado em 1º de setembro, quando Mendonça levantou o sigilo do documento. Esse ato gerou uma crise institucional sem precedentes no STF, com a troca de relatórios comprometedores entre os ministros e pedidos mútuos de investigação.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a anulação do relatório parcial enviado a Fachin, alegando irregularidades. O órgão argumenta que Mendonça não comunicou nem o presidente da Corte, nem o plenário sobre a investigação que envolvia um ministro do STF, o que poderia indicar direcionamento.
O relatório de Mendonça inclui 52 mensagens que, segundo a PF, foram enviadas por Vorcaro a Moraes, onde o ex-banqueiro aparenta ter uma relação próxima com o ministro. Em uma das mensagens, Vorcaro menciona um contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes. Em outra mensagem, ele busca informações sobre uma operação que poderia levar à sua prisão.
Em defesa apresentada na mesma sessão, Moraes negou qualquer irregularidade e classificou o relatório como inconstitucional e ilegal. Em resposta ao relatório da PF, ele divulgou um documento que sugere que Mendonça direcionou as investigações da Operação Compliance Zero para atacar adversários políticos. No entanto, esse documento não é assinado e é considerado uma conjectura sem valor probatório.
Moraes também solicitou a abertura de uma investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O julgamento deste pedido está agendado para o dia 23 de setembro.



