

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que agora passa a ser de 13,75% ao ano. A decisão foi divulgada na ata da reunião desta terça-feira (22) e ocorre em meio à desaceleração da atividade econômica e da inflação, além dos efeitos dos juros elevados sobre o crédito e a demanda.
O documento destaca que, desde o último encontro do comitê, houve uma moderação gradual da atividade econômica, especialmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico. Apesar disso, a economia brasileira se mantém resiliente e o mercado de trabalho continua aquecido.
A leitura do Produto Interno Bruto (PIB) referente ao segundo trimestre de 2023 confirma essa desaceleração, a qual se reflete nas atividades econômicas e na demanda mais suscetíveis a mudanças nas taxas de juros.
O Copom enfatiza que o arrefecimento da demanda agregada é um aspecto crucial para o reequilíbrio entre oferta e demanda na economia e a convergência da inflação à meta estabelecida.
Em relação à inflação, o comitê observou uma perda de força nos últimos meses. Tanto o índice geral quanto as medidas subjacentes desaceleraram, e os dados dos últimos 12 meses ficaram abaixo do limite superior do intervalo de tolerância da meta, embora ainda estejam acima do centro dessa meta.
O Banco Central também analisou o mercado de crédito e concluiu que os dados mais recentes refletem uma desaceleração no crescimento econômico, resultado de uma política monetária restritiva. As evidências apontam que os juros elevados estão colaborando para o processo de desinflação, mas a pressão da demanda ainda é um fator relevante para a inflação.
Ainda que alguns indicadores apresentem melhora, o Banco Central manteve uma postura cautelosa. As expectativas de inflação seguem acima da meta em todos os horizontes analisados, conforme a pesquisa Focus, que projeta 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027.
O comitê alertou que, em um ambiente de expectativas desancoradas, será necessário manter uma restrição monetária maior e por mais tempo para assegurar a convergência da inflação à meta. Além disso, apontou um aumento das incertezas no cenário internacional, abrangendo tensões geopolíticas no Oriente Médio e incertezas sobre a política monetária em economias avançadas.
O Banco Central citou que a desaceleração mais acentuada da economia brasileira e mundial, bem como uma possível queda nos preços das commodities, podem contribuir para a redução da inflação. Ao justificar a decisão de corte na taxa, o Copom reafirmou que a medida está alinhada com a estratégia de convergência da inflação para a meta. O colegiado continuará monitorando a evolução do cenário econômico para garantir a restrição necessária ao controle da inflação.



