

A composição mais conservadora do Congresso Nacional, refletida nas eleições que escolheram 19 senadores e aumentaram a bancada do MDB para 28, promete moldar a agenda legislativa a partir de 2027. Temas como segurança pública e valores familiares devem ganhar destaque, segundo a análise do economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), Jeferson Ramos dos Santos.

O especialista observa que as campanhas em diversas regiões focaram em questões como segurança pública e o elevado custo de vida, temas que se consolidaram como prioritários nas plataformas de candidatos a senadores, deputados e governadores.
“Esses temas foram bastante relevantes e representam um recado claro do eleitorado, embora não tenham sido abordados adequadamente pelo governo federal”, comenta Jeferson Ramos.
Impacto das Eleições no STF
A recente crise no Supremo Tribunal Federal (STF), embora relevante, não deve ter um impacto significativo nas próximas legislativas, segundo o economista.
“Apesar de ter sido um tópico amplamente discutido pela mídia, o STF não se apresenta nas urnas. Portanto, sua influência direta nas eleições foi menor do que se poderia imaginar”, observa.
Apesar disso, a nova maioria conservadora no Senado pode trazer à tona discussões mais profundas sobre a estrutura do STF nos próximos quatro anos, com possíveis mudanças nos mandatos dos ministros e na extensão de seus poderes.
Foco nas Propostas Trabalhistas
Com a votação do fim da escala 6×1 prevista para esta semana, conforme confirmou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), essa pauta deverá ganhar destaque, embora o novo cenário político possa alterar o ritmo e o perfil das propostas legislativas.
“O contexto político mudou significativamente. Em períodos de incerteza, as casas legislativas tendem a atrasar as votações até que o cenário se torne mais claro”, analisa o professor.
Disputa Presidencial
Na corrida pela presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) avançam para o segundo turno com a menor diferença de votos já registrada em um primeiro turno, cerca de 2,22 milhões de votos (1,87 ponto percentual) a favor do candidato do PL.
O professor Jeferson Ramos acredita que o cenário permanece aberto e competitivo até 25 de outubro, quando os brasileiros voltarão às urnas.
“Com apenas 2% de diferença entre os candidatos e uma abstenção recorde, o campo está livre para uma nova dinâmica na campanha”, afirma.
Expectativas para a Nova Legislatura
O resultado das eleições presidenciais influenciará sobremaneira a agenda da nova legislatura que se instalará em 1º de fevereiro de 2027.
“Se a agenda for mais conservadora, ela poderá deixar de lado questões trabalhistas em favor de pautas como segurança pública e valores familiares. O resultado presidencial será determinante para o direcionamento dessas discussões”, finaliza Jeferson Ramos dos Santos.
O horário eleitoral para o segundo turno terá início nesta sexta-feira (9), com os candidatos à presidência e aos governos de seis estados, além do Distrito Federal, fazendo campanha até 23 de outubro, dois dias antes do pleito decisivo.
*Colaborou Priscilla Mazenotti, repórter da Rádio Nacional/EBC



