

Um novo levantamento aponta o aumento do acesso a atividades culturais gratuitas, como shows, filmes, espetáculos e exposições, como a principal expectativa dos brasileiros em relação às políticas públicas de cultura. A pesquisa, intitulada Hábitos Culturais, foi divulgada nesta quarta-feira (14) e revela que 42% dos entrevistados consideram essa prioridade fundamental para os próximos governantes.
Apesar de a cultura ser um direito garantido pela Constituição Federal, a pesquisa evidenciou que o acesso ainda é desigual no Brasil. Enquanto 63% dos cidadãos das classes A e B frequentaram cinemas nos últimos 12 meses, apenas 18% das classes D e E tiveram essa mesma experiência.
O levantamento indica que os principais obstáculos que afastam as pessoas de atividades culturais presenciais são os custos, tanto para transporte quanto para ingressos, citados por 35% dos entrevistados. Mais da metade dos participantes que costumam frequentar esses eventos gasta, em média, R$ 100 por mês em atividades culturais. Além dos custos, o medo da violência também se destaca como um fator desmotivador.
A coordenadora do Observatório da Fundação Itaú, Ana Maria Cardoso, comenta: “Os dados revelam que o acesso à cultura é bastante desigual, especialmente quando observamos pela perspectiva socioeconômica ou de escolaridade entre os brasileiros”.
Cardoso também ressalta que as disparidades não indicam que as classes sociais mais baixas ou com menor escolaridade valorizem menos a cultura. “Existem barreiras que vão além da subjetividade pessoal e afetam diretamente esse acesso”, completa.
Demandas Populares
Dentro desse contexto, a demanda por maior acesso gratuito se destaca, com um terço da população (32%) sugerindo a criação de mais equipamentos ou instituições culturais, como museus, teatros e cinemas. Além disso, 28% dos entrevistados pedem a melhoria e modernização dos locais já existentes, enquanto 26% defendem o financiamento e incentivo à produção cultural independente.
Outras solicitações incluem apoio a iniciativas culturais em favelas e comunidades tradicionais (22%), bem como valorização e formação de artistas e profissionais do setor (21%).
Cardoso observa que “esses dados mostram que há caminhos para avançar tanto na ampliação da oferta de atividades culturais gratuitas quanto na conscientização da população sobre seu direito à cultura. Oitenta e dois por cento da população desconhece que o acesso à cultura está garantido na Constituição”.
Desigualdade no Acesso à Cultura
Embora 68% dos entrevistados reconheçam que o acesso à cultura é um direito, a pesquisa aponta uma grande disparidade. Nas classes A e B, 97% participaram de atividades culturais nos últimos 12 meses, enquanto apenas 82% das classes D e E tiveram a mesma oportunidade. A diferença se acentua quando se considera o cinema, onde 63% das classes A e B foram ao cinema, em comparação a apenas 18% das classes D e E, resultando em uma disparidade de 45 pontos percentuais.
Além disso, um em cada três entrevistados (33%) afirmaram que não têm acesso a equipamentos culturais na região onde residem.
Cultura Como um Bem Caro
O custo de participação em atividades culturais também se destaca como um entrave. Entre os que costumam pagar por atividades culturais, 46% gastam mensalmente até R$ 100. Os gastos aumentam com 14% desembolsando entre R$ 101 e R$ 150, 15% entre R$ 151 e R$ 200 e 8% acima de R$ 400.
Questões de Segurança
A insegurança é outro fator que desmotiva a participação em atividades culturais, mencionada por 30% dos entrevistados. O medo de assaltos ou furtos nas regiões dos eventos culturais é uma preocupação para 47% dos participantes, enquanto 43% citam a falta de policiamento nos locais e 29% mencionam riscos de furtos na viagem até os espaços culturais. A violência contra mulheres é uma preocupação crescente, destacada por 27% dos entrevistados, um aumento de 6 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.
Sobre a Pesquisa
A 7ª edição da Pesquisa Hábitos Culturais foi conduzida pelo Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha. A pesquisa envolveu homens e mulheres de 16 a 65 anos, das classes A, B, C e D/E, em todas as regiões do Brasil, totalizando 2.448 entrevistas presenciais realizadas entre 7 e 20 de julho de 2023.



