

Durante uma sabatina no Jornal Nacional, realizada na última quinta-feira (15), o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou apoio à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos para crimes hediondos, estimulando um debate que deve ser levado ao Congresso Nacional após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.

Lula enfatizou sua intenção de discutir a questão em um momento posterior à aprovação da PEC, que, após passar pela Câmara dos Deputados, segue pronta para votação no Senado, sem alterações, mas sem previsão de quando acontecerá. A oposição tenta emendar a proposta para reduzir a maioridade penal para 14 anos.
“Quando você trata do tema, enquanto cidadão, sou a favor da redução da maioridade para todos os crimes hediondos. Mas essa PEC não está discutindo isso. Aprova a PEC, e aí discutimos”, afirmou o presidente durante a entrevista, em resposta à jornalista Renata Lo Prete.
Propostas para Segurança Pública
No campo da segurança, Lula defendeu a urgência da aprovação da PEC, argumentando que a União precisa ser um agente ativo na segurança pública, uma vez que, segundo ele, os estados falharam nesse aspecto.
O presidente manifestou suas intenções de, após a aprovação da PEC, estabelecer um Ministério da Segurança Pública e definir claramente o papel das polícias, além de garantir que as ações dos criminosos dentro das prisões sejam minimizadas.
“Precisamos asfixiar o crime organizado para libertar os territórios dos bandidos em todo o país”, destacou Lula.
Política Econômica
Em um momento em que foi questionado sobre a dívida pública, Lula reiterou sua visão de que o crescimento econômico deve vir do fortalecimento da renda das classes mais humildes. Ele argumentou que uma distribuição mais igualitária de renda é fundamental para o desenvolvimento sustentável do Brasil.
“Eu tenho uma tese: muito dinheiro nas mãos de poucos gera pobreza; pouco nas mãos de muitos gera riqueza. A economia do Brasil cresce quando a microeconomia prospera”, disse o presidente.
No enredo econômico, Lula também defendeu um reajuste de 15% no Bolsa Família, explicando que a decisão surgiu após perceber que o valor não havia sido ajustado anteriormente, e que havia espaço fiscal para isso. Além disso, destacou outras medidas de seu governo, como a aprovação do fim da jornada de trabalho 6×1 e a proposta de isenção de dívidas para microempreendedores individuais (MEIs).
Relações Internacionais e Comércio
Sobre os desafios enfrentados devido às restrições comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos, Lula mostrou confiança na diversificação de mercados, ressaltando que, apesar da queda de 9% no comércio com os EUA, o Brasil conseguiu aumentar as trocas comerciais com outras nações, como China, Indonésia e Alemanha, resultando em um superávit comercial recorde.
“Embora tenhamos perdido volume na relação com os Estados Unidos, crescemos 20% com a China, 15% com a Indonésia, 16% com a Alemanha”, afirmou Lula, acrescentando que prefere negociar diretamente com os Estados Unidos, mas considera a reciprocidade uma possibilidade se necessário.
“Os Estados Unidos devem estar mais preocupados conosco. Não quero aplicar a Lei da Reciprocidade, mas se for preciso, nós vamos. Eles têm mais a perder do que nós”, concluiu.



