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Anistia Internacional levará denúncia contra Milei à ONU por agressões a jornalistas

Anistia Internacional denuncia agressões de Milei a jornalistas e alerta sobre deterioração da liberdade de expressão na Argentina

A Anistia Internacional anunciou que apresentará uma denúncia contra o presidente argentino, Javier Milei, à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) devido a suas hostilidades direcionadas a jornalistas.

As declarações de Milei, que insultou jornalistas que trabalharam em reportagens investigativas sobre ele, foram especialmente agressivas: em um discurso, sugeriu que deveriam “queimar na fogueira”. Este ataque à mídia ocorreu logo após uma decisão da Justiça argentina, que arquivou o caso conhecido como “criptogate”, que investigava possíveis irregularidades envolvendo o presidente e sua irmã na criação da criptomoeda $Libra.

No veredicto, o juiz federal Marcelo Martínez De Giorgi concluiu que não houve crimes, mas a Anistia Internacional considera que as declarações de Milei aumentam o assédio à imprensa e comprometem o ambiente democrático no país. A ONG, com presença em mais de 150 países, incluindo o Brasil, reforçou que esses atos colocam em risco a liberdade de expressão.

Condições de trabalho da imprensa sob ameaça

Milei não se limitou a criticar a imprensa de forma genérica; ele identificou pessoalmente jornalistas como Hugo Alconada Mon, Carlos Pagni, Paulino Rodrígues, Natalia Volosin e Luis Novaresio, referindo-se a eles de maneira depreciativa.

“Empacotados, corruptos, mercenários da mentira e fabricantes seriais de operações”, afirmou Milei, que, em outro momento, exclamou que “os que têm que queimar na fogueira são os filhos da p*”.

Em uma postagem na rede social X, o presidente alegou que estava sendo alvo de uma “tremenda operação política e midiática” destinada a prejudicar sua presidência. Nessa publicação, os jornalistas foram chamados de “subornados e mercenários da mentira”.

A Anistia Internacional alertou que as declarações de Milei não só representam um grave ataque à liberdade de expressão, mas também poderiam incitar violência contra jornalistas, criando um ambiente de intimidação e restrição na cobertura da mídia.

“Quando o presidente menciona publicamente jornalistas e usa metáforas violentas, ele gera um clima de intimidação que pode levar a agravos físicos e psicológicos”, afirmou Mariela Belski, diretora-executiva da ONG na Argentina.

Aumento da violência contra jornalistas na Argentina

Para embasar sua denúncia, a Anistia Internacional citou dados do Monitoramento da Liberdade de Expressão do Fórum de Jornalismo Argentino, que reportou 278 ataques contra jornalistas em 2025, um aumento de 55% em relação ao ano anterior. Javier Milei foi identificado como responsável por 119 desses incidentes, tornando-se o principal agressor entre os politicos.

Além disso, houve 139 discursos estigmatizantes, 20 processos judiciais contra jornalistas e 28 restrições ao acesso à informação no mesmo período, segundo a ONG. A Anistia adverte que essas ações não apenas afetam os profissionais diretamente atacados, mas também desestimulam investigações e promovem a autocensura.

Reação de entidades de direitos humanos e da classe jornalística

Em novembro de 2025, a Anistia participou, junto a outras organizações, de uma audiência na CIDH, onde denunciou o aumento das agressões à liberdade de expressão, tanto online quanto durante a cobertura de protestos. A CIDH expressou interesse em investigar a situação na Argentina.

O Sindicato de Imprensa de Buenos Aires também se manifestou contra Milei, afirmando que suas declarações são inaceitáveis e constituem uma incitação à violência. “Não haverá espaço para lamentações se a violência promovida pelo presidente se transformar em ações concretas”, ressaltou a entidade.

Jornalista brasileiro sob repressão

No contexto de hostilidades à imprensa, destaca-se o caso do jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., que teve sua entrada na Argentina barrada em 12 de outubro. Recentemente crítico do governo Milei, ele teve sua residência permanente cancelada e está proibido de reentrar no país por cinco anos.

Tomaz, que reside em Brasília e acompanha de perto a política argentina, produz conteúdo sobre as medidas econômicas e sociais do governo Milei, além de estar escrevendo um livro sobre a administração do presidente.

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