

A Justiça italiana adiou para 24 de novembro o julgamento sobre a extradição da deputada cassada Carla Zambelli para o Brasil. A decisão ocorre em meio ao processo que a condenou por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, após Zambelli ter sacado uma arma e perseguido um jornalista em São Paulo, em 2022. 

A decisão da Corte de Apelação de Roma aconteceu em resposta a um pedido da defesa, que justificou o adiamento alegando a falta de acesso à documentação sobre as condições em que Zambelli pode ficar na Colmeia, a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, caso a extradição seja aprovada.
O processo de extradição da ex-parlamentar já havia sido autorizado em uma primeira instância, mas a defesa conseguiu que a Corte de Cassação revisasse a decisão devido à falta de informações adequadas sobre o sistema prisional no Brasil. O novo julgamento, que estava agendado para esta quarta-feira, foi agora remarcado para o próximo mês.
Essa não é a primeira vez que a extradição de Carla Zambelli está em pauta na Justiça italiana. Em um caso anterior, relacionado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o pedido de extradição foi contraditado após a defesa argumentar contra a imparcialidade do julgamento no Brasil, especificamente em relação ao relator do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Alexandre de Moraes.
Eduardo Maurício, advogado de Zambelli, afirmou que a falta de acesso à documentação inviabiliza o exercício da ampla defesa e a contestação das questões relativas à saúde da ex-deputada. Ele enfatizou que extraditar Carla ao Brasil seria como entregá-la à morte, considerando as condições desumanas do sistema prisional brasileiro.
Entenda a situação
Carla Zambelli foi condenada em 2025 a 10 anos de prisão pela Primeira Turma do STF, pelos crimes de invasão de sistema informático e falsidade ideológica. Ela foi considerada responsável pela inserção de um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes nos sistemas do CNJ, como parte de uma tentativa de desacreditar o Judiciário em meio às eleições presidenciais.
Em outra condenação, também em 2025, Zambelli recebeu pena de 5 anos e 3 meses, com regime semiaberto, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, relacionada à perseguição do jornalista Luan Araújo em São Paulo.
Fuga e refúgio
Após sua primeira condenação, antes da ordem de cumprimento ser emitida, Zambelli utilizou um passaporte europeu para deixar o Brasil, passando pelos Estados Unidos até chegar à Itália, onde pediu asilo por alegação de perseguição política. Ela chegou a ser presa em Roma a pedido do STF, mas após a negativa de um primeiro pedido de extradição, foi liberada e, atualmente, aguarda o julgamento do novo pedido.



