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Ribeirão Preto aprova propostas inovadoras para a saúde da população negra no 1º Seminário Municipal

Ribeirão Preto estabelece quatro propostas para melhorar a saúde da população negra após seminário municipal

Fotos: Divulgação

No dia 23 de outubro, a Prefeitura de Ribeirão Preto, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, encerrou o 1º Seminário Municipal de Saúde da População Negra com a elaboração de uma carta compromisso. O documento apresenta quatro propostas essenciais para melhorar o atendimento à comunidade negra na rede pública de saúde.

O seminário surge como resposta a dados preocupantes que revelam a desigualdade no acesso à saúde. Segundo pesquisa da Cátedra Çarê-IEPS e do Instituto Çarê, a mortalidade da população negra por causas evitáveis é 18% superior à da população branca. Quando se observam causas passíveis de prevenção por meio de políticas públicas, essa diferença aumenta para alarmantes 25%. Em casos de diabetes gestacional, as gestantes negras enfrentam uma taxa de mortalidade 2,5 vezes maior do que suas contrapartes brancas.

A primeira proposta da carta foca no câncer de mama e no câncer do colo do útero entre mulheres negras, sugerindo a implementação de estratégias contínuas de rastreamento e prevenção alinhadas à Lei nº 15.184/2024. As medidas incluem busca ativa de pacientes, ampliação dos horários para exames preventivos e a realização de mutirões, levando em consideração as barreiras de tempo que as mulheres enfrentam devido ao trabalho e às responsabilidades familiares.

A segunda proposta visa à educação permanente dos profissionais de saúde, com foco no letramento racial, para minimizar os efeitos do racismo institucional no atendimento a pacientes. Esta formação é fundamental para desconstruir preconceitos e promover um cuidado mais humanizado.

Já a terceira proposta aborda a questão do HIV/Aids. O texto sugere uma atuação integrada entre o SUS (Sistema Único de Saúde) e o SUAS (Sistema Único de Assistência Social), além de outras áreas como Educação e Cultura. A proposta defende a manutenção dos serviços especializados e a revisão do modelo de atendimento, buscando garantir fácil acesso ao tratamento e à prevenção para os portadores do vírus.

A quarta proposta dá ênfase à ampliação das ações em saúde mental, reconhecendo o racismo como um determinante social que impacta negativamente a saúde da população negra, agravando condições clínicas e emocionais.

Para Adriana Bispo, integrante da área técnica de ações programáticas da Secretaria e membro do Comitê Técnico Municipal de Saúde da População Negra e do COMDEPIR (Conselho Municipal de Desenvolvimento e Promoção da Igualdade Racial), o seminário cumpriu um papel crucial ao expor as desigualdades que afetam o acesso da população negra à saúde.

“A carta compromisso nos direciona a implementar essas propostas nas unidades de saúde. Temos a oportunidade de enfrentar as barreiras invisíveis que afetam a vida e a saúde das pessoas negras,” enfatizou Bispo.

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