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Temporada de Baleias-Jubarte Registra Queda no Nascimento de Filhotes

Queda no nascimento de filhotes de baleias-jubarte é atribuída ao aquecimento global, afetando a fertilidade e a sobrevivência da espécie no Brasil

As icônicas baleias-jubarte, que anualmente realizam uma migração de quase 4 mil quilômetros desde as águas ricas em alimento da Antártida até o arquipélago dos Abrolhos, no sul da Bahia, estão enfrentando uma temporada de acasalamento inusitadamente baixa. Este ano, o Instituto Baleia Jubarte registrou uma alarmante taxa de natalidade de apenas 3,35% entre os indivíduos avistados até setembro, bem abaixo da média histórica de 9,98%, um reflexo das ameaças impostas pelo aquecimento global.

Os números são preocupantes: enquanto no ano passado, a taxa de natalidade foi de 10,7%, em 2024, atingiu um recorde de 16,69%. Milton Marcondes, diretor de pesquisas do instituto, aponta que a escassez de krill — o principal alimento das jubartes — na Antártida é uma das causas prováveis dessa redução. “Baleias que não se alimentam adequadamente tendem a ter menos fertilidade e correm o risco de perder filhotes em gestação”, destaca Marcondes.

Monitoramento Meticuloso

O instituto monitora as jubartes todos os anos com supervisão rigorosa, utilizando uma barcaça que viaja entre Belmonte, na Bahia, e Barra do Riacho, no Espírito Santo. Para complementar esses dados, foram realizados 11 cruzeiros científicos ao redor dos Abrolhos, contabilizando 431 baleias, das quais apenas 42 eram filhotes, também uma taxa insatisfatória.

Além disso, uma contagem aérea está sendo realizada ao longo da costa, do litoral paulista ao Rio Grande do Norte, para estimar a população total de jubartes no Brasil. O último levantamento, realizado em 2022, indicou um número recorde de 34,5 mil baleias. No entanto, prognósticos para este ano sugerem uma redução na população.

Uma Temporada Encolhida

A baixa taxa de nascimentos provocou uma redução na duração da temporada de avistamento. Tradicionalmente, as baleias-jubarte começam a chegar ao Brasil em junho, atingindo seu pico entre julho e outubro, e partem até novembro. “As que vieram para acasalar já foram embora. Filhotes são os que prolongam a temporada, pois suas mães precisam esperar que cresçam e desenvolvam camada de gordura suficiente para a migração”, explica Marcondes.

Os registros de encalhes também estão atípicos. A maioria das ocorrências é de filhotes, que são mais vulneráveis nesta fase inicial de vida. “Se um filhote se separa da mãe, ele pode morrer de fome ou ser atacado por predadores”, observa Marcondes.

Caravelas (BA), 19/08/2026 - Eduardo Camargo, diretor executivo do Instituto Baleia Jubarte. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Caravelas (BA) – Eduardo Camargo, diretor executivo do Instituto Baleia Jubarte. Tânia Rêgo/Agência Brasil

O balanço até agora aponta 59 casos de encalhes em comparação aos 78 do ano anterior. Estudos já demonstraram a correlação entre a escassez de krill e picos de encalhes em anos anteriores. Embora os números de encalhes estejam abaixo da média, a preocupação ainda é grande, pois a situação atual pode resultar em mortalidade significativa entre os juvenis caso a falta de krill persista.

Como observa Marcondes, “se continuarmos a enfrentar esse problema, é possível que no próximo ano haja um aumento na mortalidade, pois os desafios são cumulativos.”

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