

Durante a Conferência Internacional “Mulheres que movem a justiça”, que acontece até sexta-feira (6) em Brasília, comunicadoras ressaltaram a importância de criar redes de apoio entre mulheres como forma de lutar contra o machismo e aumentar a presença feminina nos espaços de poder. O encontro foi dedicado a discutir soluções para uma justiça mais equitativa no Brasil.
As participantes enfatizaram que os profissionais da mídia devem se mobilizar no combate à desinformação e às mensagens misóginas. A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, destacou, em uma das mesas de debate, que a união das mulheres já produziu conquistas históricas, citando o “lobby do batom”, uma coalizão de deputadas e senadoras que influenciou a Constituição de 1988. “Esse esforço coletivo garantiu muitos dos direitos que temos hoje”, observou.
Oportunidades no Judiciário
Antonia também mencionou a previsão de que 40% dos cargos vitalícios no Judiciário serão preenchidos nos próximos dez anos, criando uma janela de oportunidades para mulheres. “Trabalhar em rede é um método que as mulheres dominam, e é fundamental para nossa sobrevivência”, complementou.
Ela argumentou que as redes de apoio servem como um escudo contra a desinformação disseminada por grupos radicais, uma realidade crescente no Brasil e no mundo. “A comunicação pública tem sido frequentemente atacada por governos extremistas”, avisou.
Reconhecendo o Machismo
Outra presença marcante foi a advogada e influenciadora Sara Gabriela, que mantém a página “Seja a princesa que salva a si mesma”. Ela abordou a necessidade de enfrentar o machismo como um problema cultural e reiterou que, embora o sistema jurídico brasileiro seja avançado, é preciso agir com clareza e precisão na luta contra a misoginia. “A informação não deve ser suavizada”, defendeu.
O projeto que coordena, criado em 2019, surgiu a partir de sua vivência no atendimento a mulheres vítimas de violência em Goiás. “É preciso promover uma mudança cultural para que novas narrativas sejam construídas”, refletiu.
Direitos e Empoderamento
A advogada e influenciadora Miriane Ferreira também participou do debate. Com um canal no Instagram que possui mais de dois milhões de seguidores, ela busca descomplicar questões jurídicas e reforçar os direitos das mulheres. Miriane alertou que muitas não exigem seus direitos patrimoniais após o divórcio, mesmo após contribuir significativamente para a família através do trabalho doméstico. Ela aconselhou: “As mulheres precisam entender sua força e garantir sua voz nesse processo.”
Desafios no Judiciário
Mayra Cotta, advogada e criadora da série “Afiadas” na TV Brasil, destacou que, apesar de as mulheres estarem denunciando mais violações, enfrentam um “massacre” no Judiciário. Segundo ela, a merecida representação feminina deve ser acompanhada de uma mudança na forma como as denúncias são tratadas. “Juízes frequentemente desconsideram o sofrimento das vítimas”, lamentou.
Mobilização e Voz
A jornalista Thayse Xavier, fundadora da plataforma “Elas trabalham”, enfatizou a necessidade de motivar as mulheres a ocupar cargos de influência. No mês passado, ela conduziu campanhas para incentivar o voto feminino. “É vital que mulheres fora do poder apoiem aquelas que estão em posições de decisão”, reforçou.
A cineasta Fernanda Amim, por sua vez, ressaltou que a abertura de espaços deve se dar por meio de narrativas. Ela dirigiu o documentário “Reconhecidos”, que expõe o racismo estrutural no sistema de justiça criminal.



