ItatibaPolícia

Investigação do pai muda rumo de caso de estudante morta em excursão escolar em SP

Após mais de 10 anos de buscas e perícias independentes, família da estudante morta durante excursão em Itatiba consegue decisão no STJ que reconhece negligência da escola e fixa indenização de R$ 1 milhão.

A morte da estudante Victoria Mafra Natalini, durante uma excursão escolar em Itatiba, interior de São Paulo, ganhou um novo capítulo após mais de uma década de disputas judiciais e investigações. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou a escola a pagar R$ 1 milhão por danos morais ao pai da adolescente, reconhecendo falhas na supervisão durante a atividade.

A decisão reverteu entendimento do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que havia reduzido a indenização para R$ 400 mil. O valor inicial havia sido fixado em primeira instância e foi restabelecido de forma unânime pela 4ª Turma do STJ.

O caso ganhou novos rumos ao longo dos anos após a família contestar a hipótese inicial de morte natural e conduzir, por conta própria, uma investigação paralela com peritos independentes.

Excursão escolar terminou com desaparecimento

Victoria tinha 17 anos quando participou de uma atividade escolar realizada em uma fazenda na cidade de Itatiba, em setembro de 2015. A viagem fazia parte de um trabalho pedagógico que envolvia estudos de matemática e topografia.

No quinto dia da atividade, os alunos foram divididos em grupos para mapear áreas da propriedade rural. Durante a tarde, Victoria informou aos colegas que iria ao banheiro e seguiu por uma trilha em direção à sede da fazenda.

A estudante não retornou ao grupo e foi dada como desaparecida. O corpo foi encontrado no dia seguinte em uma área de mata.

Inicialmente, a morte foi tratada como suspeita, mas sem indícios claros de violência. O primeiro laudo do Instituto Médico Legal apontou causa indeterminada, sugerindo possibilidade de morte natural.

Perícia independente mudou a linha da investigação

A versão inicial levantou dúvidas na família. Com o avanço das análises independentes contratadas pelos pais, inconsistências começaram a aparecer.

Entre elas estava a localização do corpo, encontrado a cerca de 1,2 quilômetro do local onde a estudante havia dito que iria, em direção oposta à sede da fazenda.

Com a pressão da família e novos exames periciais, um segundo laudo apontou que a adolescente morreu por asfixia mecânica, causada por sufocação. A investigação passou então a tratar o caso oficialmente como homicídio.

A apuração foi transferida para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo.

Justiça reconhece falhas da escola

Paralelamente à investigação criminal, a família moveu uma ação civil contra a escola responsável pela excursão.

A decisão do STJ reconheceu negligência na organização da atividade. Entre os pontos destacados estão a ausência de um plano de contingência, falhas na supervisão dos estudantes e demora para perceber o desaparecimento da adolescente.

A análise judicial também apontou problemas na condução das buscas iniciais, quando alunos foram orientados a procurar a colega na mata.

Segundo a decisão, a indenização tem caráter pedagógico e reforça a responsabilidade das instituições de ensino em garantir segurança durante atividades externas.

Caso ainda aguarda desfecho criminal

Apesar da decisão na esfera cível, a investigação criminal sobre a morte de Victoria ainda não foi concluída.

O inquérito segue dividido em duas frentes: uma apura a possível responsabilidade de professores e gestores por abandono de incapaz com resultado morte; a outra busca identificar o autor do homicídio.

A investigação chegou a ser arquivada por falta de suspeitos, mas foi reaberta em 2025 após novas diligências e revisão do caso.

Mais de dez anos depois da morte da estudante, o caso permanece sem resposta definitiva. Enquanto a responsabilização civil foi reconhecida pela Justiça, a identificação de quem matou Victoria continua sendo o principal ponto em aberto da investigação.

LEIA MAIS

Polícia Militar intensifica fiscalização de presos na saída temporária em Jundiaí e região

Escola infantil é invadida e furtada durante a madrugada no bairro Ponte São João, em Jundiaí

Mostrar mais
Leia também

Artigos relacionados

Deixe um comentário

Botão Voltar ao topo
Don`t copy text!

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios