Botox preventivo cresce 300% entre jovens, mas uso precoce exige cautela
Impulsionado por redes sociais e padrões estéticos, procedimento se populariza entre a Geração Z; especialista alerta para riscos do uso sem indicação

A preocupação com a aparência e o medo de envelhecer estão surgindo cada vez mais cedo. Entre jovens da Geração Z, o interesse por procedimentos estéticos vem crescendo, inclusive antes dos 25 anos. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) mostram que a toxina botulínica já é o procedimento estético mais realizado entre pessoas de 18 a 30 anos, com crescimento de 300% nos últimos três anos.
No cenário global, o último levantamento da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) aponta que o Brasil ocupa a terceira posição entre os países que mais realizam o procedimento, com mais de 433 mil aplicações. Em todo o mundo, mais de 2,2 milhões de pacientes entre 18 e 34 anos recorreram à técnica, número superior até mesmo ao de pessoas entre 51 e 64 anos, que registraram cerca de 2,1 milhões de aplicações de botox.
Dentro desse cenário, uma abordagem mais sutil tem ganhado espaço entre os mais jovens: o chamado “baby botox”, que consiste em microdoses da toxina botulínica aplicadas em mais pontos do rosto, com o objetivo de suavizar as expressões sem comprometer a naturalidade, o que tem atraído especialmente quem busca resultados discretos ou está iniciando nos procedimentos estéticos.
A técnica é indicada principalmente para pessoas com expressões faciais mais intensas, que já começam a notar as primeiras marcas, ou para quem busca um resultado mais natural, sem aspecto artificial. Também pode ser uma alternativa para quem está iniciando nos procedimentos estéticos e prefere uma abordagem mais gradual.
Mas, afinal, quando o chamado “botox preventivo” é realmente indicado?
De acordo com a especialista em harmonização facial da Clínica Omint Odonto e Estética, Fabiana Corrêa Mostafa, o botox preventivo consiste na aplicação da toxina botulínica antes que as rugas se tornem permanentes. “A ideia não é paralisar o rosto, mas reduzir levemente a força das contrações musculares, evitando que as marcas de expressão se tornem estáticas ao longo do tempo”, explica.
Embora a faixa entre 25 e 30 anos seja frequentemente usada como referência, não existe uma idade ideal universal, conforme explica Fabiana. Fatores como genética, tipo de pele, exposição solar e até a intensidade das expressões faciais são determinantes para a indicação ou não do procedimento.
Quando realizar o botox?
O principal sinal de que o botox pode ser indicado está na transição das chamadas “rugas dinâmicas”, aquelas que aparecem ao sorrir ou franzir a testa, para as “rugas estáticas”, visíveis mesmo com o rosto em repouso. “Se a marca demora para desaparecer ou já pode ser percebida mesmo sem a expressão, é um indicativo de que o colágeno começou a ceder. Esse é o momento em que o procedimento pode fazer mais sentido”, orienta a especialista.
Uso precoce pode trazer efeitos indesejados
Apesar de ser considerado seguro quando bem indicado, o uso da toxina botulínica sem necessidade pode trazer consequências ao longo do tempo. Segundo a especialista, o uso excessivo e contínuo por muitos anos pode levar a uma leve perda de volume muscular. Isso porque o músculo que é pouco estimulado pode encolher com o tempo.
Além disso, há um ponto de atenção comportamental. A busca precoce por procedimentos, segundo a especialista, muitas vezes pode não estar relacionada a uma necessidade real, mas sim à comparação constante com padrões determinados pelas redes sociais. “Por isso, o acompanhamento de um profissional habilitado é fundamental. Menos é mais: doses adequadas, intervalos respeitados e uma abordagem individualizada garantem resultados mais naturais”, afirma.
A especialista reforça ainda que o envelhecimento faz parte do processo natural e não deve ser encarado como algo a ser corrigido, mas sim respeitado em sua individualidade.
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