COP17 inicia semana crucial para financiamento e restauração de solos
Negociações na COP17 buscam aumentar investimentos para restauração de solos e enfrentamento da seca, com arrecadação ainda aquém das necessidades globais

A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) iniciou sua última semana de negociações em Ulaanbaatar, Mongólia, com foco em temas específicos para acelerar acordos. Nos próximos quatro dias, os delegados se concentram principalmente na captação de recursos financeiros para a restauração de solos e no combate à seca.
Nesta segunda-feira, 24 de outubro, foram anunciados novos investimentos que somam US$ 1,3 bilhão, embora o déficit anual estimado por especialistas da ONU seja de US$ 278 bilhões. A secretária executiva da Convenção, Yasmine Fouad, enfatizou a necessidade de engajamento tanto de setores públicos quanto privados, salientando que o financiamento deve ser visto como um investimento em prevenção e desenvolvimento.
“Falamos de financiamento não para doar, mas para investir. Para mobilizar recursos que invistam nas pessoas, nas economias e na prevenção. Queremos levar a resolução para além das palavras no papel e implementá-la na vida das pessoas”, afirmou Fouad.
A maior iniciativa anunciada na COP17 é a Rangelands Flagship Initiative, uma parceria entre o governo da Mongólia e a UNCCD, focada na conservação e recuperação de pastagens. Avaliada em US$ 1,2 bilhão, essa mobilização financeira é a maior da história voltada para esses ecossistemas que são vitais para a sobrevivência de milhões de pessoas.
Pablo Munõz, especialista em economia ambiental do Mecanismo Global da UNCCD, destacou que a escala do déficit financeiro exige novas abordagens, como o uso de recursos públicos para diminuir riscos para investidores privados e explorar novos modelos de negócios. Atualmente, o setor privado responde por apenas 6% do financiamento global para restauração de terras. Para incrementar essa participação, a UNCCD lançou a rede Business4Land, que visa conectar empresas, governos e investidores.
Segundo Sarah Toumi, especialista em sustentabilidade da UNCCD, empresas precisam reconhecer os riscos econômicos associados à degradação ambiental e à seca, e assim, ajustar suas práticas para assegurar a sustentabilidade de seus negócios.
A COP17 também buscou aumentar os recursos voltados para a preparação para períodos de seca. O Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) anunciou um programa integrado para gestão de terras, com investimento inicial de US$ 140 milhões, visando ajudar os países a tomarem medidas proativas em vez de reagir a emergências.
Ulrich Appel, representante do GEF, comentou que essa iniciativa pode contribuir para um planejamento mais robusto e soluções que fortaleçam a resiliência antes que a seca se agrave.
O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.



