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Brasil e EUA marcam reunião para discutir tarifas comerciais na segunda-feira

Reunião virtual entre Brasil e EUA visa discutir tarifas comerciais e buscar soluções para contornar a disputa tarifária recente entre os países

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, se encontrarão virtualmente na próxima segunda-feira, 31 de outubro, às 14h30, horário de Brasília. O encontro foi confirmado pelo ministério à Agência Brasil.

A retomada das negociações comerciais foi acordada durante uma conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na última sexta-feira, 21 de outubro. A ligação, que durou cerca de uma hora e 20 minutos, ocorreu de forma cordial e visou abrir um novo canal de diálogo entre o Brasil e os Estados Unidos, em meio à disputa gerada pelas tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros.

Durante a conversa, Lula defendeu a retomada das tratativas comerciais, argumentando que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a adoção das novas tarifas são infundadas. As tarifas em questão estão relacionadas a questões como desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, e importações de produtos ligados ao trabalho forçado.

O presidente brasileiro alertou que as tarifas afetam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e enfatizou a importância do diálogo para preservar a relação comercial. Trump também reconheceu a necessidade de manter os laços comerciais e sinalizou a retomada do contato entre as equipes dos dois governos.

Em julho, o USTR impôs uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, após uma análise de cerca de um ano. Entre os setores afetados estão o de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, e produtos farmacêuticos.

A justificativa para as tarifas foi de que certas práticas do Brasil oneravam ou restringiam o comércio de agricultores e exportadores norte-americanos. Além disso, uma sobretaxa adicional de 12,5% foi aplicada a mais produtos brasileiros, sob a alegação de que o país não tem mecanismos adequados para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

As novas tarifas, em vigor desde o final de julho, impactam cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O governo brasileiro já havia solicitado consultas no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que as tarifas são inconsistentes com as regras da entidade. Os Estados Unidos concordaram em participar das consultas.

Desde a implementação das tarifas pelo governo Trump, o Brasil enfatiza que a relação comercial é superavitária para os EUA, que vendem mais do que compram. O governo brasileiro se comprometeu a continuar buscando formas de minimizar os danos econômicos causados pelas tarifas.

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