EconomiaEducaçãoJustiça

AGU processa Discord por danos morais de R$ 500 milhões após violações

AGU processa Discord por danos morais de R$ 500 milhões devido a violações que afetam grupos vulneráveis e crimes na plataforma

A Advocacia Geral da União (AGU) ajuizou uma ação civil na Justiça Federal de Brasília contra a plataforma Discord, alegando violações que afetam diversos grupos vulneráveis no Brasil. A ação busca a condenação da empresa por dano moral coletivo no valor de R$ 500 milhões, correspondente a R$ 50 milhões para cada infração identificada.

O ministro da AGU, Jorge Messias, afirmou que o Discord tem dado suporte à prática de comportamentos ilegais, citando a “proteção insuficiente a mulheres, crianças, adolescentes e animais.” A Polícia Federal reportou a falta de cumprimento das normativas exigidas pela legislação brasileira, incluindo o ECA Digital, sancionado em março deste ano.

Messias relatou que, em duas semanas de negociações com representantes do Discord, a empresa se recusou a formalizar um termo de ajustamento de conduta. “A empresa se negou a assumir perante a sociedade brasileira e o Estado o cumprimento de suas obrigações legais”, destacou.

O governo considera que a plataforma é utilizada para a prática de crimes e que é imprescindível acabar com os chamados “safáris digitais”, onde animais são expostos a violências. Messias também mencionou a necessidade de evitar a criação de “cracolândias digitais” no ambiente virtual brasileiro.

Wellington César, ministro da Justiça e da Segurança Pública, mencionou a sanção da lei 15.487, que permite às autoridades identificar e coletar arquivos sobre crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes. “Atuaremos para coibir esse tipo de conduta inaceitável em todo o território nacional”, garantiu.

Vitor Fernandes, secretário nacional de direitos digitais, recordou a Operação Lívia, deflagrada em 4 de agosto, que cumpriu mandados em cinco estados. Durante a operação, o Discord foi notificado sobre as investigações que envolviam a morte de uma adolescente de 13 anos durante uma live, ocorrida em uma transmissão que durou mais de duas horas e recebeu alerta das autoridades apenas 25 minutos antes do encerramento.

O governo acredita que a situação do Discord não é isolada, citando mais de 115 relatórios técnicos sobre indução ao suicídio e automutilação associados à plataforma desde 2025. Nos Estados Unidos, o Discord já enfrenta ações legais em estados como Texas, que exigem reformulações na plataforma, destacando que a criptografia de ponta a ponta dificultou a detecção de conteúdos criminosos.

Fernandes criticou a falta de mecanismos de supervisão e controle parental na rede, alertando que as plataformas devem proativamente detectar e remover conteúdos problemáticos. Segundo ele, a legislação brasileira exige que isso ocorra sem necessidade de notificação estatal.

O diretor de combate a crimes cibernéticos da Polícia Federal, Otávio Margonari Russo, enfatizou que o ECA Digital está recebendo atenção internacional e que oferece ferramentas valiosas para a atuação da polícia.

Em resposta à ação da AGU, o Discord qualificou-a como “desproporcional” e reafirmou seu compromisso em dialogar com as autoridades. A empresa alegou ter apresentado propostas para melhorar a segurança na plataforma, enfatizando que a cooperação com as autoridades estava em curso e que não se sentia isolada nas discussões sobre a morte da adolescente.

O Discord afirmou também que, antes da morte da adolescente, havia desativado um servidor que incentivava automutilação, e que atua diariamente para detectar e reduzir comportamentos de risco na plataforma, colaborando com as prisões de suspeitos através de comunicações às autoridades.

Mostrar mais
Leia também

Artigos relacionados

Deixe um comentário

Botão Voltar ao topo
Don`t copy text!

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios