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Mudanças nas diretrizes tiram hormônios do tratamento da tireoide na gestação

Novas diretrizes brasileiras excluem hormônios do tratamento da tireoide para gestantes com anticorpos positivos, buscando evitar medicações desnecessárias

Gestantes que possuem anticorpos contra a tireoide positivos (anti-TPO) e apresentam níveis normais de funcionamento da glândula não devem mais usar medicamentos hormonais. Essa mudança de orientação, fundamentada em três estudos recentes, foi divulgada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

As novas recomendações foram apresentadas durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, realizado no Rio de Janeiro, e se baseiam em diretrizes publicadas pela Associação Americana da Tireoide em junho de 2023. Após quase uma década das diretrizes anteriores, a SBEM agora orienta que as gestantes com anticorpos positivos não precisam receber levotiroxina, desde que sua tireoide funcione normalmente, com níveis adequados de T4.

Apesar da suspensão do uso preventivo do hormônio, o acompanhamento da função tireoidiana será mantido, visto que estudos indicam maior risco de desenvolvimento de hipotireoidismo ao longo da gestação. “A presença de anticorpos não significa que a mulher desenvolva a alteração da tireoide, desde que seus hormônios estejam normais”, explica Cleo Mesa Júnior, subcoordenador do Departamento de Tireoide da SBEM.

Para as mulheres que já apresentavam hipotireoidismo antes da gravidez, a recomendação continua sendo um aumento de cerca de 30% da dose de levotiroxina no início da gestação.

O Brasil optou por continuar realizando rastreamento universal das gestantes para identificar potenciais necessidades de tratamento, diferentemente da nova diretriz internacional, que sugere um rastreamento seletivo, considerando apenas mulheres com fatores de risco, como idade avançada, obesidade e número de gravidezes anteriores.

Cleo Mesa Júnior enfatiza que a abordagem brasileira busca não perder a oportunidade de diagnosticar e tratar todas as mulheres que necessitam, além de evitar excessos na medicação. “O rastreamento seletivo pode deixar de identificar algumas mulheres com alterações, que não apresentam os fatores de risco”, alerta o especialista.

Outra mudança importante refere-se ao tratamento do hipotireoidismo subclínico, no qual o TSH está elevado, porém os níveis de T4 permanecem normais. A nova diretriz foca em iniciar o tratamento apenas no primeiro trimestre da gestação, considerando que a saúde fetal depende mais do hormônio tireoidiano materno nesse período crítico. Se detectado posteriormente, o acompanhamento será mantido, sem início do tratamento, a não ser que o TSH se eleve acima de 10 mUI/L.

A atualização internacional sugere repetir exames de TSH após uma a três semanas antes de decidir iniciar o tratamento. No entanto, no Brasil, a recomendação é realizar a nova coleta de forma mais ágil para evitar atrasos em intervenções necessárias. “Esperar pode significar perder a janela de oportunidade para o tratamento”, ressalta Mesa Júnior.

Além disso, as novas diretrizes priorizam o rastreamento em gestantes com histórico pessoal ou familiar de doenças tireoidianas, enquanto fatores como idade materna e número de gestações anteriores não são mais considerados indicadores de risco. Essas mudanças visam aprimorar a seleção de quem realmente necessita de avaliação.

Quanto à ingestão de iodo, uma recomendação importante é garantir a suplementação adequada antes da concepção e durante a gestação, especialmente para mulheres que apresentam maior risco de deficiência. No entanto, a suplementação não deve ser universal e deve ser individualizada de acordo com a dieta e condições específicas de cada gestante.

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