Brasil busca acordo de coprodução cinematográfica com a Rússia
Brasil avança nas negociações para um acordo de coprodução cinematográfica com a Rússia visando fortalecer laços culturais e comerciais entre os países

O Brasil está em negociações para um acordo oficial de coprodução cinematográfica com a Rússia, permitindo o uso de políticas públicas para projetos culturais em ambos os países. A expectativa, segundo Leonardo Edde, presidente da RioFilme, é que esse acordo seja concretizado em um futuro próximo.
Edde participa do Festival Internacional de Cinema de Moscou, que vai até o dia 31 de outubro, sendo esta sua terceira participação no evento, a convite dos organizadores. Em entrevista à Agência Brasil, ele ressaltou a importância de estruturar bem o acordo antes de sua formalização. É essencial compreender quais tipos de conteúdos possuem maior potencial na união das duas culturas e identificar as interseções entre as audiências de Brasil e Rússia, incluindo cinema, televisão e streaming.
“Tem toda uma preparação para que esse acordo de coprodução esteja operacional e permita a realização de negócios”, afirmou Edde.
A RioFilme já estabeleceu parcerias com a China e a Índia e busca fortalecer laços dentro do grupo Brics, que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Edde destacou a necessidade de explorar o enorme mercado comum que esses países representam, especialmente na indústria do cinema e audiovisual, que serve como uma forma de soft power para promover os países membros e atrair turismo.
“É hora de a gente potencializar quem somos, como Brics”, defendeu Edde. Ele também mencionou a importância de continuar a cooperação com outros países em busca de trocas de experiências e tecnologias. Além das parcerias dentro do Brics, a RioFilme está em diálogo com nações como Colômbia, Espanha, Inglaterra e França para criar um ecossistema de colaboração no setor audiovisual.
A viagem de Edde a Moscou integra o projeto Destination Rio, parte do plano estratégico da prefeitura carioca para o período de 2025 a 2028. O foco é promover co-produções e a distribuição de conteúdo brasileiro no exterior, além de atrair produções estrangeiras e empresas internacionais para o Rio de Janeiro.
“A gente está pensando muito em produção de propriedade intelectual e importação de serviços e produtos”, disse Edde, enfatizando o objetivo de fortalecer todo o ecossistema audiovisual da cidade. Ele ressaltou que a RioFilme não apenas promove filmes, mas também as oportunidades que empresas estrangeiras podem encontrar no Rio.
“A gente tem a missão e o olhar para o ecossistema todo. Para o Rio como território. A indústria criativa conecta todo mundo, a gente trabalha com todos e para todos”, acrescentou.
Em 2024, a RioFilme firmou um memorando com a cidade de Moscou, comprometendo-se a promover ambas as cidades como destinos para produções internacionais e negócios bilaterais. Em junho de 2026, uma delegação de Moscou participou do evento Rio2C, que é uma das principais plataformas de negócios da América Latina para o audiovisual, onde ocorreram conexões com empresas cariocas e o início da aproximação entre os mercados cinematográficos russo e brasileiro.



