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COP17 encerra em Ulaanbaatar sem compromissos significativos devido a conflitos geopolíticos

COP17 termina sem avanços significativos em compromissos de combate à desertificação devido a tensões geopolíticas e bloqueios nas negociações

Após duas semanas de debates, a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) chegou ao fim em Ulaanbaatar, Mongólia. O evento, promovido pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), ocorreu em um momento crítico, em que até 40% das terras do planeta enfrentam degradação. No entanto, a conferência não alcançou avanços significativos na concretização de compromissos internacionais.

A criação de um regime global contra as secas foi mais uma vez adiada, e os valores de financiamento apresentados ficaram aquém do necessário para combater a degradação da terra. Os negociadores, ouvidos pela Agência Brasil, consideraram que os resultados poderiam ter sido piores diante das dificuldades geopolíticas atuais, incluindo tentativas dos EUA de enfraquecer acordos multilaterais.

No primeiro dia do evento, representantes dos Estados Unidos bloquearam discussões sobre gênero, participação da sociedade civil e a integração das três Conferências das Partes relacionadas ao meio ambiente, o que gerou críticas significativas. Ao final da conferência, todos os itens discutidos foram reintroduzidos na pauta da COP18, que acontecerá no Egito em 2028.

Uma nova abordagem sobre a seca foi acordada, garantindo sua inclusão permanente na agenda das próximas conferências. As discussões sobre a temática continuarão entre a COP17 e a COP18, evitando que o assunto ficasse suspenso por dois anos.

A secretária-executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, declarou que, apesar das disputas, a COP17 fortaleceu o diálogo, ressaltando que o sistema multilateral não está tão fragmentado quanto parece. “Ainda que não tenhamos alcançado um pacote completo, mantivemos a possibilidade de progresso até a próxima conferência,” afirmou.

Entre os anúncios positivos em Ulaanbaatar, destacam-se o avanço na implementação da Parceria Global de Resiliência à Seca de Riad, lançada na COP16, prevista para apoiar cerca de 70 países de baixa e média-baixa renda. Além disso, foi apresentado o Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca (DRIF), a primeira plataforma global de financiamento dedicada exclusivamente ao tema, que deverá mobilizar até US$ 400 milhões.

O financiamento continuou como um desafio central da conferência. A UNCCD estima que cerca de US$ 355 bilhões por ano são necessários até 2030 para enfrentar a degradação da terra, enquanto os investimentos atuais giram em torno de US$ 77 bilhões, resultando em um déficit anual de US$ 278 bilhões. A participação do setor privado nesses investimentos é limitada, correspondendo apenas a 6% do total destinado à recuperação de terras.

Na conferência, foram anunciados compromissos que somam US$ 1,3 bilhão para a restauração de terras e para o aumento da resiliência a secas, englobando 23 países. Destes, US$ 644,5 milhões representam novos recursos, e US$ 216,4 milhões já estão confirmados para implementação.

A escolha da Mongólia como sede da COP17 coincidiu com o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, e as nações reconheceram a importância desses ecossistemas na conservação ambiental. Uma análise econômica apresentada durante o evento revelou que as pastagens geram entre US$ 21 trilhões e US$ 47 trilhões anualmente em serviços ecossistêmicos, destacando o alto retorno sobre os investimentos na recuperação desses ambientes.

Os povos indígenas também ganharam novos espaços na convenção, com a primeira reunião formal dos grupos de representação criados para incluir suas perspectivas nas discussões sobre desertificação. Os indígenas enfatizaram a importância dos conhecimentos tradicionais e da governança comunitária na gestão das terras.

No balanço final da COP17, o Brasil destacou seu comprometimento em alcançar a Neutralidade da Degradação da Terra até 2030, com objetivos que incluem a recuperação de mais de 163 mil quilômetros quadrados de áreas degradadas e medidas de conservação em 3,67 milhões de quilômetros quadrados. Com isso, o país reafirmou seu papel no enfrentamento da degradação da terra.

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