
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta terça-feira (1º) com representantes da sociedade civil no Palácio do Planalto, em Brasília, para discutir o mercado de apostas eletrônicas, popularmente conhecidas como bets. Segundo Lula, uma decisão do governo sobre o assunto deve ser tomada em breve, e ouvir a sociedade civil é fundamental para esse processo.
“O governo tem discutido como resolver o problema das bets. Eu sugeri ouvirmos o que a sociedade brasileira pensa sobre as bets antes de tomarmos uma solução definitiva. Depois que terminar essa reunião, eu vou convocar uma nova reunião ainda esta semana para tomar uma decisão”, declarou o presidente.
Entre os participantes da reunião estavam entidades de proteção à criança, profissionais da saúde e representantes de setores do comércio e da cultura. A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, conduziu o encontro, que também contou com a presença de diversos ministros, como Alexandre Padilha (Saúde) e Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública).
A consulta à sociedade trouxe apelos para a proibição das apostas eletrônicas no Brasil, assim como relatos sobre os efeitos prejudiciais dessas práticas nas famílias e na economia. Um dos relatos destacou o caso de um pai preocupado com sua filha, que acumulou dívidas com agiotas após perder dinheiro em apostas.
Um dos participantes mencionou o aumento da inadimplência devido ao uso de dinheiro para apostas, o que tem impactado negativamente o comércio. Durante a reunião, também foi sugerida a criação de uma secretaria extraordinária para combater as bets ilegais.
Alexandre Padilha apresentou dados sobre o atendimento a pessoas viciadas em apostas no Sistema Único de Saúde (SUS), ressaltando que inicialmente havia 600 atendimentos mensais, mas esse número já ultrapassa 100 mil. Ele observou que 55% da demanda vem de mulheres, enquanto o público masculino é estatisticamente maior entre os apostadores.
O ministro também mencionou uma proposta de Resolução em discussão na Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tema, com o Brasil, a Espanha e o Canadá liderando a iniciativa. Além disso, Padilha destacou que a plataforma SUS Digital pode ser utilizada para solicitar atendimento e iniciar um tratamento contra a dependência em apostas.
Lula se declarou contra as bets, considerando-as um “mal para a sociedade”, mas ressaltou que, como presidente, precisa avaliar as implicações sociais, políticas e econômicas de qualquer decisão. Ele ponderou sobre a possibilidade de uma ação mais drástica, mencionando que proibir as 60 mil bets clandestinas é um desafio complexo, especialmente devido à influência de artistas que promovem as apostas.
No ano passado, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas eletrônicas, sendo este valor a diferença entre o montante apostado e o que foi devolvido em forma de prêmios. Isso representa uma média de R$ 4,7 bilhões mensais, considerando o período de outubro de 2024 a março de 2026, o que equivale a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias. Durante o mesmo período, as bets movimentaram quase R$ 351 bilhões em transações via Pix.



