Aquecimento acima de 1,5°C pode causar crises na saúde e economia global
A elevação da temperatura global acima de 1,5°C traz riscos alarmantes para saúde e economia, exigindo ações imediatas e eficazes para mitigação

Um relatório das Nações Unidas, divulgado nesta quarta-feira (2), alerta que o planeta deve ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento nos próximos anos, aumentando a frequência de desastres naturais, ondas de calor e secas históricas. Especialistas dizem que essa realidade exige atenção urgente para evitar a deterioração do cenário climático.
André Guimarães, diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), expressou sua preocupação com a situação. “Hoje é um dia triste para a humanidade. Fomos derrotados por nós mesmos”, lamentou. Ele enfatizou que a humanidade ainda tem a chance de redesenhar seu futuro, mas é preciso agir rapidamente para reduzir a queima de combustíveis fósseis e preservar as florestas.
Durante um evento do Instituto Clima e Sociedade (iCS), Thelma Krug, presidente do Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS), da Organização Meteorológica Mundial (OMM), destacou que a magnitude e a duração do aquecimento impactarão a sociedade e o meio ambiente. Segundo ela, a temperatura global já está cerca de 1,37°C acima dos níveis pré-industriais, com um aumento aproximado de 0,26°C por década. “Fazendo uma conta bem rápida, teríamos três ou quatro anos para limitar o aquecimento, se continuarmos no ritmo atual de emissões”, explicou Krug.
O economista Sergio Margulis, do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), alertou que o aumento das temperaturas já provoca perdas econômicas significativas, equivalentes a 2% do PIB global, afetando infraestrutura, agricultura, saúde e energia. Ele afirmou que, para evitar que esses prejuízos aumentem, é essencial investir agora na transição energética. “Hoje o mundo gasta uns 2 trilhões de dólares com descarbonização, mas precisamos aumentar esse patamar para 5 trilhões ou até um pouco mais”, disse Margulis.
Margulis também sublinhou que, embora os governos precisem intensificar os investimentos em adaptação, a prioridade deve ser a redução das emissões de gases de efeito estufa. “Adaptação não resolve o problema físico do aquecimento global. Temos que parar com as emissões”, enfatizou.
Claudio Angelo, coordenador de política internacional do Observatório do Clima (OC), reforçou que o relatório da ONU serve como um alerta para impedir que o aquecimento ultrapasse o limite de 1,5°C. “Abandonar esse objetivo não é uma opção; seria assinar um pacto coletivo de suicídio”, avaliou. Ele concluiu que a expansão da indústria de combustíveis fósseis deve ser interrompida e que a COP31, que acontecerá em dois meses, representa uma oportunidade crucial para essa decisão.



