Movimentos sociais promovem Grito dos Excluídos por moradia digna e paz
Movimentos sociais realizam o Grito dos Excluídos em mais de 50 cidades, clamando por moradia digna, paz e justiça social em meio a diversas reivindicações

Movimentos sociais de todo o Brasil realizaram, nesta segunda-feira (7), a 32ª edição do Grito dos Excluídos. De acordo com os organizadores, marchas e atos aconteceram em mais de 50 cidades nas diversas regiões do país.
Com faixas, bandeiras e gritos de guerra, os manifestantes destacaram o lema deste ano: “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”. Entre as principais reivindicações estavam moradia digna, reforma agrária, educação pública de qualidade, defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), combate ao feminicídio e a todas as formas de violência contra mulheres, além do enfrentamento do racismo e da LGBTfobia.
Na capital paulista, os participantes percorreram as ruas do centro, finalizando com uma missa na Catedral da Sé, dedicada à população em situação de rua. Antes da caminhada, houve um café da manhã comunitário. Para a ativista Miriam Hermogenes, da Central dos Movimentos Populares, a liberdade só será plena com o fim da situação de rua no país.
“A gente faz uso desse dia para dizer: ainda não temos liberdade, e é necessário avançar muito para sermos uma sociedade verdadeiramente livre”, afirmou Hermogenes à Agência Brasil.
No Rio de Janeiro, o ato percorreu a Avenida Presidente Vargas e começou logo após o desfile de Sete de Setembro. Uma das características marcantes foi a presença de um grupo de teatro que apresentou esquetes em defesa da soberania nacional e da democracia, sob a coordenação de Julian Boal, filho do fundador do Teatro do Oprimido.
De acordo com Boal, a encenação visa levar mais pessoas à manifestação e ressalta que a participação democrática não se limita às eleições. Durante o ato, os manifestantes também clamaram por moradia digna e criticaram a exploração imobiliária, conforme destacou Ricardo Pitta, coordenador do Movimento Quilombos Urbanos Luta por Moradia Digna.
Em Brasília, representantes do Núcleo de Ecologia Integral aproveitaram o ato para enfatizar a crise ecológica como uma questão de justiça social. A economista aposentada Maria do Carmo de Jesus Botafogo alertou sobre a destruição do planeta e a necessidade de uma mudança na política ecológica.
Durante a manifestação, foi apresentada uma carta de compromisso com a ecologia, que será entregue a candidatos progressistas nas eleições deste ano. Ana Clara Botafogo, filha de Maria do Carmo, destacou a importância de garantir que todos os eleitos cumpram suas obrigações ambientais.
A professora universitária Altaci Kokama ressaltou o papel do Grito dos Excluídos ao dar voz a aqueles que estão à margem da sociedade, embora reconheça que a mobilização enfrenta desafios, como a necessidade de apoio logístico para trazer mais participantes.
A cobertura das manifestações foi realizada pelos repórteres Alex Rodrigues, Bruno de Freitas Moura e Guilherme Jeronymo, representando diferentes cidades do Brasil.

