
O uso excessivo de celulares e tablets por crianças e adolescentes tem contribuído para o aumento de casos de olho seco, uma condição caracterizada pela falta de lubrificação adequada na superfície ocular. A denúncia foi feita durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, que acontece em Salvador até o próximo sábado (12).
A oftalmologista Ana Paula Silverio explicou que a frequência de piscadas diminui quando jovens e crianças passam longos períodos em frente às telas. Isso provoca a evaporação das lágrimas, resultando em sintomas como ardência, coceira, vermelhidão e visão embaçada.
“As mães trazem as crianças com queixas de desconforto e percebem que elas começaram a piscar mais”, destacou Ana Paula, referindo-se ao cenário observado em seu consultório pediátrico.
A especialista ressaltou que o problema é ainda mais significativo entre os adolescentes, que costumam usar celulares em ambientes com pouca iluminação, como seus quartos. Segundo ela, esse hábito é agravado pelo tempo considerável que os jovens dedicam a dispositivos digitais para fins educacionais e de lazer.
“Os adolescentes utilizam celulares por longas horas, tanto na escola quanto em casa”, afirmou Ana Paula. “Os pais frequentemente chegam ao consultório preocupados e pedem orientação sobre o uso saudável de tecnologia.”
A oftalmologista também recomenda que o tempo de uso das telas seja limitado a até duas horas por dia, como indicado pela Sociedade Brasileira de Pediatria para crianças acima de 6 anos e adolescentes. “Estamos vivendo uma era tecnológica, mas é fundamental tentar diminuir o tempo de exposição às telas”, concluiu.
*A repórter viajou a convite do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).



