
O CineSesc em São Paulo exibe, nesta quinta-feira (10), às 20h, o documentário Arquivo Vivo, dirigido por Vincent Carelli e Ana Carvalho. A apresentação é parte da programação do festival Amor ao Cinema e retrata o impacto do projeto Vídeo nas Aldeias, que ao longo dos anos se tornou um importante acervo audiovisual dos povos indígenas brasileiros, com mais de 70 filmes produzidos.
Vincent Carelli, cineasta franco-brasileiro, se interessou pelo indigenismo desde cedo, em parte por influência de um missionário dominicano que lecionava em seu colégio em São Paulo. Após assistir a apresentações com slides sobre comunidades indígenas, Carelli manifestou interesse em acompanhá-lo em uma viagem. Com apenas 16 anos, teve sua primeira experiência em uma aldeia, onde a vivência intensa e a recepção calorosa dos indígenas o marcaram para sempre.
“A sensação de ter adentrado em outro momento da humanidade foi muito forte”, recorda Carelli, que é filho do artista Antonio Carelli e irmão da atriz Chica Carelli. Imerso nessa experiência, ele decidiu que queria viver entre os povos indígenas. Após completar uma formação em indigenismo em Brasília, Carelli ganhou a confiança dos Xikrin e foi convidado a permanecer na aldeia.
No entanto, durante a ditadura militar no Brasil, Carelli encontrou obstáculos para atuar em projetos com os indígenas. As ONGs eram rejeitadas e as associações indígenas enfrentavam grande resistência. Na década de 1970, Carelli trabalhou na Funai e co-fundou o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), além de se unir a Andrea Tonacci para criar o projeto Inter Povos, que utilizava o vídeo como meio de comunicação entre os povos.
Em 1986, Carelli e sua esposa, antropóloga Virgínia Valadão, fundaram oficialmente o projeto Vídeo nas Aldeias. O projeto continuou a prosperar, mesmo durante a pandemia de COVID-19, evidenciando sua relevância diante da negligência governamental. Carelli ressalta a importância da apropriação da imagem e da memória, especialmente em tempos de perda e mudança nas comunidades indígenas.
Além de cineasta e educador, Carelli atuou como jornalista e repórter fotográfico em diversas publicações, e foi editor do Projeto Povos Indígenas no Brasil, que deu origem ao Instituto Socioambiental (ISA). Ele levanta questões sobre a autonomia das instituições indígenas e a relação dessas comunidades com suas imagens, questionando se existem espaços governamentais verdadeiramente dirigidos por eles.
Serviço:
Festival Amor ao Cinema | CineSesc
Arquivo Vivo
Direção: Vincent Carelli e Ana Carvalho
País: Brasil
Ano: 2026
Duração: 2h17min (137’)
Classificação Indicativa: Livre



