Brasil busca status de parceiro pleno da Asean durante visita ao Sudoeste Asiático
Mauro Vieira busca reabertura do mercado de carne na Tailândia e promoção do Brasil a parceiro pleno da Asean durante visita ao Sudoeste Asiático

O ministro de Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, iniciou esta semana uma visita oficial ao Sudoeste Asiático, com foco na reabertura do mercado tailandês para a carne brasileira, que foi fechado em 2024.
Outra meta da missão é avançar nas negociações para que o Brasil seja reconhecido como Parceiro de Diálogo Pleno da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Essa mudança de status permitiria fortalecer as relações com os países da Asean, que atualmente são o quinto maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas de China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul. Desde 2022, o Brasil possui o status de parceiro de diálogo setorial.
Atualmente, apenas 12 países ou blocos têm o status de parceiro pleno junto à Asean, incluindo Estados Unidos, União Europeia, Japão e China. Não há representantes da América Latina entre eles.
O comércio do Brasil com os membros da Asean cresceu significativamente, passando de US$ 3 bilhões em 2003 para US$ 38 bilhões em 2025, com uma taxa média de crescimento anual de 12%.
Os Estados membros da Asean incluem Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor Leste, Mianmar, Brunei, Camboja e Laos. O governo brasileiro espera que seu pedido para se tornar parceiro pleno seja aceito na próxima cúpula da Asean, que ocorrerá de 10 a 12 de novembro nas Filipinas, ou em janeiro de 2027, quando Singapura assumirá a presidência do bloco.
Mauro Vieira destacou a importância da Asean, afirmando que a relação comercial com esses países deve superar a do Brasil com os EUA e a Europa “num futuro próximo”. Essa visita ocorre em um contexto onde o Brasil busca diversificar sua pauta comercial, especialmente após os tarifas impostas pelo governo Donald Trump. Em agosto, o secretário-geral da Asean, Kao Kim Hourn, visitou Brasília para discutir parcerias.
Entre 2023 e 2025, as exportações brasileiras para os cinco maiores mercados da Asean (Singapura, Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia) devem atingir US$ 68,5 bilhões, valor equivalente ao exportado para cinco países do G7 (Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e França) no mesmo período. O Brasil registrou superávit de US$ 36 bilhões com esses parceiros da Asean, enquanto teve um déficit de US$ 36,6 bilhões no comércio com os países do G7.
A viagem de Mauro Vieira começou em Singapura, onde foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores, Vivian Balakrishnan, e teve diálogos com cerca de 20 representantes de empresas de ambos os países. Singapura é o segundo maior parceiro comercial do Brasil na Ásia, apenas atrás da China, e registrou um fluxo comercial de US$ 10,7 bilhões em 2024, com aumento de 23% em relação ao ano anterior.
Durante uma conferência em Singapura, Vieira reiterou a intenção do Brasil de ser incluído como parceiro pleno da Asean, afirmando que o Brasil está preparado para preencher essa lacuna, já que dos 12 parceiros de diálogo, nenhum pertence à América Latina, ao Caribe ou à África. O Brasil busca relações com todos os países, sem exclusões.
A parceria de livre comércio entre Mercosul e Singapura, iniciada em agosto, deve fortalecer ainda mais os laços entre a América do Sul e o pequeno país do Sudeste Asiático, que possui um PIB de US$ 603 bilhões, próximo ao da Argentina.
Depois de Singapura, Vieira se dirigiu à Tailândia para uma visita oficial de 8 a 10 de setembro, onde se reuniu com empresários e o vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores, Sihasak Phuangketkeow. O objetivo é aprofundar relações em comércio, investimentos, ciência e segurança alimentar. Os ministros também discutiram a cooperação no enfrentamento do crime organizado, como tráfico de pessoas e fraudes cibernéticas.
A Tailândia tem apoiado o Brasil em questões consulares, que foram essenciais para situações envolvendo brasileiros no país. Nos últimos meses, casos de brasileiros que buscaram trabalho na região mas acabaram em condições de exploração foram registrados.
Em um artigo no Bangkok Post, Mauro Vieira ressaltou que o Brasil é o principal parceiro da Tailândia na América Latina e que relações mais estreitas com o Sudeste Asiático podem bolocar o Sul Global com uma voz mais forte em meio a tensões geopolíticas.
Com mais de 71 milhões de habitantes, a Tailândia possui um fluxo comercial com o Brasil de US$ 5,7 bilhões em 2025, e espera-se que essa relação se aprofunde nos próximos anos.



