Festival de Cinema Francês 2023: Uma Nova Geração de Olhares no Brasil
Festival de Cinema Francês traz 21 filmes para mais de 50 cidades brasileiras, promovendo a diversidade cultural e a troca entre indústrias audiovisuais

Iniciando uma nova edição, o Festival de Cinema Francês retorna ao Brasil com uma programação recheada e diversificada. A partir desta quinta-feira (29), 21 longas-metragens estarão em cartaz em mais de 50 cidades, com as sessões se estendendo até 11 de novembro.

Durante suas 17 edições, o festival consolidou-se como o maior evento dedicado ao cinema francês no Brasil, alcançando aproximadamente 2,5 milhões de espectadores e enriquecendo ainda mais o intercâmbio cultural entre as duas nações.
>> Confira a programação completa aqui. <<
Este ano, o festival ocupa cerca de 100 cinemas e apresenta uma paleta de gêneros que incluem comédias, dramas, thrillers políticos, documentários e animações. Os preços dos ingressos variam conforme o local das exibições.
Emmanuelle Boudier, curadora do festival desde sua primeira edição e residente no Brasil há 22 anos, destaca a importância de apresentar filmes de diversos países para fomentar o pensamento crítico em um mundo que clama por uma multiplicidade de vozes. Ela ressalta que a seleção visa oferecer uma alternativa à predominância da cinematografia norte-americana.
“O cinema faz com que a gente abra a mente para coisas que não conhecemos.”
Entre os filmes em destaque, está De Gaulle: A França Livre, dirigido por Antonin Baudry. A obra narra a determinação do general Charles de Gaulle em organizar a resistência francesa após a capitulação diante da Alemanha nazista em 1940. Para Boudier, a temática é particularmente relevante para os dias atuais.
“É uma mensagem de que nunca devemos desistir dos nossos ideais, da nossa liberdade, da democracia.”
Outra atração aguardada é o thriller Júpiter, de Alexandre Smia, que foi exibido fora de competição no Festival de Veneza de 2026. O enredo gira em torno de um presidente recém-eleito que enfrenta uma crise internacional com potencial de desencadear uma guerra nuclear. O filme terá sua estreia no Brasil antes de ser lançado na França, prevista para o dia 18 de novembro.
A curadora afirma que a seleção deste ano busca equilibrar obras mais pesadas com produções que proporcionem leveza e entretenimento.
Humor Francês
Dentre as comédias em destaque está O Beijo Elétrico (La Vénus électrique), de Pierre Salvadori, que ambienta sua narrativa em Paris, em 1928, e abriu o Festival de Cannes de 2026. O filme relata a história de Antoine Balestro, um pintor que busca recuperar sua inspiração após a morte da esposa, recorrendo a uma vidente que, inesperadamente, se envolve em uma farsa.
Outra comédia que promete encantar é Bem-vindos à La Comédie-Française, de Martin Darondeau e Bertrand Usclat. A trama acompanha Nina, uma diretora prestes a estrear na renomada companhia teatral, que enfrenta uma série de contratempos que ameaçam o sucesso da apresentação. O filme foi reconhecido com quatro prêmios no Festival Internacional de Cinema de Comédia de l’Alpe d’Huez, tendo atraído mais de 900 mil espectadores na França.
Para Emmanuelle Boudier, a comédia francesa é muito apreciada pelo público brasileiro.
Suspense e Mistério
No campo do suspense, destaca-se O Fantasma da Ópera (Le Fantôme de l’Opéra), de Alexandre Castagnetti, que revela os mistérios e amores envolventes que circulam no Palais Garnier, em Paris. Além disso, o festival apresentará o aclamado curta-metragem Duas Pessoas Trocando Saliva (Deux personnes échangeant de la salive), vencedor do Oscar de 2026 na categoria de melhor curta-metragem em live action, que retrata a trajetória de duas mulheres em uma sociedade repressiva, onde o beijo é uma prática proibida e punida com a morte.
Fortalecimento Cultural
Além de levar o cinema francês ao público, o festival também busca fomentar relações entre as indústrias audiovisuais do Brasil e da França. Um de seus importantes projetos é um laboratório de escrita de roteiros, que promove integração entre roteiristas dos dois países.
Este ano, foram recebidos mais de 150 projetos, dos quais 15 foram selecionados. A iniciativa visa não apenas a troca de experiências, mas também a construção de parcerias e coproduções futuras.
Com mais de duas décadas vivendo no Rio de Janeiro, Emmanuelle Boudier compartilha como essa experiência influenciou sua identidade. Mãe de três filhos, sua ligação com a cidade se tornou profunda: “Às vezes me sinto muito carioca e também muito parisiense.”
Para ela, a convivência entre diferentes culturas expande horizontes e promove uma visão mais ampla do mundo, um conceito que ressoa fortemente na essência do festival.



